por uma vida menos ordinária
eu também vou reclamar:


"Pombas brancas"



A pomba branca,é o símbolo da paz...
O branco,nos leva a pensar na pureza,no novo..no certo...
Mesa branca,ano novo,vestido de noiva..(não me perguntem por que o noivo está de preto)...
Bom,a não ser que você tenha ido ao circo,ou visto um show mágico,mas você sabe que pombas brancas são difíceis de se ver hoje em dia...
Real e figuradamente falando..a pomba,o bicho em si,e a sua representação..
Com essa violência toda,também..que pomba querer-ia viver num lugar assim?....
E pensando,pensando,infiltrada nessa existência cotidiana,fútil...chata...americana,vejo sangue jogado no chão.será que foi uma bomba?.
Que pena!
Vejam só!!



Clara Cuevas 2003

eu também vou reclamar:


"A tese do Coelho"



Num dia lindo e ensolarado o coelho saiu de sua toca, com o "notebook"
e pôs-se a trabalhar, bem concentrado.
Pouco depois passou por ali uma raposa, e viu aquele suculento coelhinho
tão distraído, que chegou a salivar. No entanto, ela ficou intrigada com
a atividade do coelho e aproximou-se, curiosa:
- Coelhinho, o que você está fazendo aí, tão concentrado?
- Estou redigindo a minha tese de doutorado, disse o coelho, sem tirar
os olhos do trabalho.
- Hummmm... e qual é o tema da sua tese?
- Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores
naturais das raposas.
A raposa ficou indignada:
- Ora!!! Isso é ridículo!!! Nós é que somos os predadores dos coelhos!
- Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu te mostro minha prova
experimental.
O coelho e a raposa entram na toca.
Poucos instantes depois ouvem-se alguns ruídos indecifráveis, alguns
poucos grunhidos e depois... silêncio. Em seguida, o coelho volta,sozinho,
e mais uma vez retoma aos trabalhos de sua tese, como se nada tivesse acontecido.
Meia hora depois passa um lobo.
Ao ver o apetitoso coelhinho tão distraído, agradece mentalmente à cadeia
alimentar por estar com o seu jantar garantido.
No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho trabalhando naquela
concentração toda e resolve então saber do que se trata aquilo tudo, antes
de devorar o coelhinho:
- Olá, jovem coelhinho. O que o faz trabalhar tão arduamente?
- Minha tese de doutorado, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo

algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os
grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos
lobos.
O lobo não se conteve com a petulância do coelho:
- Ah! Ah! Ah! Ah! Coelhinho! Apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito.
Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos.
- Aliás, chega de conversa...
- Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova
experimental. Você gostaria de acompanhar-me a minha toca?
O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte. Ambos desaparecem toca
adentro.
Alguns instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação
e... silêncio.
Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível e volta ao trabalho
de redação da sua tese, como se nada tivesse acontecido.
Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensangüentados
e pelancas de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior
de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos. Ao centro das
duas pilhas de ossos, um enorme LEÃO, satisfeito, bem alimentado, palitando
os dentes.

MORAL DA HISTÓRIA:
1. Não importa quão absurdo seja o tema de sua tese;
2. Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico;
3. Não importa se os seus experimentos nunca cheguem a provar sua teoria;
4. Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra o mais óbvio dos conceitos
lógicos;
5. O que importa é QUEM ESTÁ APOIANDO SUA TESE...


lar doce lar