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Sexta-feira, Maio 20, 2005
by Clara Cuevas
" Tempestades"O Pássaro e o homem têm essências diferentes. O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas; o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos. Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra. Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos. Muitos levantam a cabeça acima dos montes, porém sua alma jaz nas trevas das cavernas. A civilização é uma arvore idosa e carcomida, cujas flores são a cobiça e o engano e cujos frutos são a infelicidade e a inquietação. Deus criou os corpos para serem os templos das almas. Devemos cuidar desses templos para que sejam dignos da divindade que neles tem morada. Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis, de suas tradições e de seu ruído. Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas levantam-se dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos. Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira dourada e seus ouvidos com falsas promessas. Os sacerdotes aconselham os outros, mas não aconselham a si mesmos, e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos. Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vão. As descobertas e invenções não são mais que brinquedos, com a mente se divertindo no seu tédio. Cortar as distâncias, nivelar as montanhas, vencer os mares, tudo isso não passa de aparências enganadoras, que não alimentam o coração nem elevam a alma. Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes, nada são senão cadeias douradas com as quais os homens acorrentam-se, deslumbrados com seu brilho e tilintar. São os fios da tela que o homem tece desde o inicio do tempo, sem saber que, quando terminar sua obra, terá construído a prisão dentro da qual ficará preso. Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só... É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma. Quem o sente, não o pode expressar em palavras. E quem não o sente, não poderá nunca o conhecer por palavras. Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas. Khalil Gibran
Salvador Dalí - Reminescense
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