por uma vida menos ordinária
eu também vou reclamar:


" Tédio Total Mix"



Burb**

"Sou um bicho de cabelo cansado
de ser lavado todos os dias
Da necessidade de reciclagem
Na cabeça e na alma vazia.

Um bicho cansado das próprias necessidades
Da distância entre o possível e os ideais
Das amizades mantidas por trocas
Das verdades irreais.

Do mesmo rosto,da mesma raça.
Um bicho fino e cru
Quase morto,mórbido e faminto
Que precisa urgentemente
Ir à caça."

Clara Cuevas



O BICHO



"Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.



Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.



O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.



O bicho, meu Deus, era um homem."

Manuel Bandeira





Burning Giraffe - Dalí




Sucede que me canso de ser hombre

"Sucede que me canso de ser hombre.
Sucede que entro en las sastrerías y en los cines
marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro
navegando en un agua de orígen y ceniza.

El olor de las peluquerías me hace llorar a gritos.
Sólo quiero un descanso de piedras o de lana,
sólo quiero no ver establecimiento ni jardines,
ni mercaderías, ni anteojos, ni ascensores.

Sucede que me canso de mis pies y de mis uñas
y mi pelo y mi sombra.
Sucede que me canso de ser hombre.

Sin embargo sería delicioso
asustar a un notario con un lirio cortado
o dar muerte a una monja con un golpe de oreja.
Sería bello
ir por las calles con un cuchillo verde
y dando gritos hasta morir de frío.

No quiero seguir siendo raíz en las tinieblas,
vacilante, extendido, tiritando de sueño,
hacia abajo, en las tripas mojadas de la tierra,
absorbiendo y pensando, comiendo cada día.

No quiero para mí tantas desgracias.
No quiero continuar de raíz y de tumba,
de subterráneo solo, de bodega con muertos
aterido, muriéndome de pena.

Por eso el día lunes arde como el petróleo
cuando me ve llegar con mi cara de cárcel,
y aúlla en su transcurso como una rueda herida
y da pasos de sangre caliente hacia la noche.

Y me empuja a ciertos rincones, a ciertas casas
húmedas,
a hospitales donde los huesos salen por la
ventana,
a ciertas zapaterías con olor a vinagre,
a calles espantosas como grietas.

Hay pájaros de color de azufre y horribles
intestinos
colgando de las puertas de las casas que odio,
hay dentaduras olvidadas en una cafetera,
hay espejos
que debieran haber llorado de vergüenza y
espanto,
hay paraguas en todas partes, y venenos, y
ombligos.

Yo paseo con calma, con ojos, con zapatos,
con furia, con olvido,
paso, cruzo oficinas y tiendas de ortopedia,
y patios donde hay ropas colgadas de un alambre:
calzoncillos, toallas y camisas que lloran
lentas lágrimas sucias."

Pablo Neruda




Really Negative - Picasso

***Aaahhh, tentei passar umas coisas pro papel hoje... Não consegui nada. Só sei que algo neste mundo fede demais.
Calma! É o enxofre da industrialização.Que droga viu...




eu também vou reclamar:


" Pensamentos inúteis da 00:10"



Uma coisa é certa. Eu ainda vou escrever muito nesta vida.
Eu disse muito, e não muito bem.É como dizer lindo e muito lindo.Um elefante, dois elefantes. O que está pouco não está vazio.
Entende?
Não escolher já é uma escolha. Você sabia? Pois é, ouvir não é saber e calar não é consentir.
Calar pode ser sentir fome, saudade ou dor.
A gente se cala quando sente muito amor, mas quando amamos, gritamos bem alto. Não a ponto da vizinhança ouvir, mas o suficiente para o mundo inteiro ficar sabendo. Mas você sabe, o mundo é pequeno, e quando vamos ver estamos berrando no ouvido justamente daquele que amamos.
Fazemos sem pensar. As vezes me pergunto se a humanidade pensa mesmo. A história às vezes me argumenta que não.
Uma amiga me disse uma vez que quando gritamos com alguém,é por que nossos corações estão longe. Uma evidência disso é quando sussurramos pertinho no ouvido daquele que amamos e nos sentimos com o coração bem pertinho um do outro.

Seria lindo se não fosse verdade. Seria trágico se não fosse cômico.
Seria se não tivesse não sido. Mil formas de ser e não ser. De ser e ser ao mesmo tempo.

Caro leitor, (eu sei que você está dizendo "puta merda que que eu vim fazer nessa vala?"). Pois bem, você tem direito a dar um grito. (Mas não esqueça de falar baixinho a quem você ama).
Muitas palavras, pouco nexo. Ligue os pontos, busque a verdade e seja feliz.
Você tem a livre e espontânea opção de ser comandado pelo sistema. Por essa gramática chata e normas da ABNT.
Mas é só isso. Vazio.
Em suma, verde não quer dizer limão, nem com a sinestesia mais amarga e verde.
Não, não é.
E eu não quero falar sobre isso.



Edvard Munch/Não achei o nome!

*Eu sei que tá tudo péssimo, perdon!
Mas isso foi escrito por uma quase zumbi antes de dormir, ok?

eu também vou reclamar:


" Ouço vozes desde criança! "




Poesia em i :

"O dialeto das coisas
empregnado de si
E de todas as suas possibilidades,
traduz as causas do verbo ser,e ele
por sua vez,sua existência potencial.
Não tem plano Cartesiano não.
Tem o tempo pra medir as horas,
Tem as uvas,tem as cinzas.
Tem as uvas que passam,todas ali.
Na matéria do seu futuro do pretérito.
Tudo indefinido.
Escaldante na mente do passageiro,
Parado na passagem do tempo."

Clara Cuevas/Oct-2005


"[...]
a hemorragia da manhã
tudo isso em ti
se deposita e cala.
Até que de repente
um susto
ou uma ventania
(que o poema dispara)
chama
esses fósseis à fala.

Meu poema
É um tumulto,um alarido:
basta apurar o ouvido."

Muitas Vozes - Ferreira Gullar



Edvard Munch-Voice


lar doce lar