| por uma vida menos ordinária |
|
eu também vou reclamar:
Posted
Quarta-feira, Outubro 19, 2005
by Clara Cuevas
" Tédio Total Mix"Burb** "Sou um bicho de cabelo cansado de ser lavado todos os dias Da necessidade de reciclagem Na cabeça e na alma vazia. Um bicho cansado das próprias necessidades Da distância entre o possível e os ideais Das amizades mantidas por trocas Das verdades irreais. Do mesmo rosto,da mesma raça. Um bicho fino e cru Quase morto,mórbido e faminto Que precisa urgentemente Ir à caça." Clara Cuevas O BICHO "Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem." Manuel Bandeira
Burning Giraffe - Dalí Sucede que me canso de ser hombre "Sucede que me canso de ser hombre. Sucede que entro en las sastrerías y en los cines marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro navegando en un agua de orígen y ceniza. El olor de las peluquerías me hace llorar a gritos. Sólo quiero un descanso de piedras o de lana, sólo quiero no ver establecimiento ni jardines, ni mercaderías, ni anteojos, ni ascensores. Sucede que me canso de mis pies y de mis uñas y mi pelo y mi sombra. Sucede que me canso de ser hombre. Sin embargo sería delicioso asustar a un notario con un lirio cortado o dar muerte a una monja con un golpe de oreja. Sería bello ir por las calles con un cuchillo verde y dando gritos hasta morir de frío. No quiero seguir siendo raíz en las tinieblas, vacilante, extendido, tiritando de sueño, hacia abajo, en las tripas mojadas de la tierra, absorbiendo y pensando, comiendo cada día. No quiero para mí tantas desgracias. No quiero continuar de raíz y de tumba, de subterráneo solo, de bodega con muertos aterido, muriéndome de pena. Por eso el día lunes arde como el petróleo cuando me ve llegar con mi cara de cárcel, y aúlla en su transcurso como una rueda herida y da pasos de sangre caliente hacia la noche. Y me empuja a ciertos rincones, a ciertas casas húmedas, a hospitales donde los huesos salen por la ventana, a ciertas zapaterías con olor a vinagre, a calles espantosas como grietas. Hay pájaros de color de azufre y horribles intestinos colgando de las puertas de las casas que odio, hay dentaduras olvidadas en una cafetera, hay espejos que debieran haber llorado de vergüenza y espanto, hay paraguas en todas partes, y venenos, y ombligos. Yo paseo con calma, con ojos, con zapatos, con furia, con olvido, paso, cruzo oficinas y tiendas de ortopedia, y patios donde hay ropas colgadas de un alambre: calzoncillos, toallas y camisas que lloran lentas lágrimas sucias." Pablo Neruda
Really Negative - Picasso ***Aaahhh, tentei passar umas coisas pro papel hoje... Não consegui nada. Só sei que algo neste mundo fede demais. Calma! É o enxofre da industrialização.Que droga viu... eu também vou reclamar:
Posted
Domingo, Outubro 16, 2005
by Clara Cuevas
" Pensamentos inúteis da 00:10"Uma coisa é certa. Eu ainda vou escrever muito nesta vida. Eu disse muito, e não muito bem.É como dizer lindo e muito lindo.Um elefante, dois elefantes. O que está pouco não está vazio. Entende? Não escolher já é uma escolha. Você sabia? Pois é, ouvir não é saber e calar não é consentir. Calar pode ser sentir fome, saudade ou dor. A gente se cala quando sente muito amor, mas quando amamos, gritamos bem alto. Não a ponto da vizinhança ouvir, mas o suficiente para o mundo inteiro ficar sabendo. Mas você sabe, o mundo é pequeno, e quando vamos ver estamos berrando no ouvido justamente daquele que amamos. Fazemos sem pensar. As vezes me pergunto se a humanidade pensa mesmo. A história às vezes me argumenta que não. Uma amiga me disse uma vez que quando gritamos com alguém,é por que nossos corações estão longe. Uma evidência disso é quando sussurramos pertinho no ouvido daquele que amamos e nos sentimos com o coração bem pertinho um do outro. Seria lindo se não fosse verdade. Seria trágico se não fosse cômico. Seria se não tivesse não sido. Mil formas de ser e não ser. De ser e ser ao mesmo tempo. Caro leitor, (eu sei que você está dizendo "puta merda que que eu vim fazer nessa vala?"). Pois bem, você tem direito a dar um grito. (Mas não esqueça de falar baixinho a quem você ama). Muitas palavras, pouco nexo. Ligue os pontos, busque a verdade e seja feliz. Você tem a livre e espontânea opção de ser comandado pelo sistema. Por essa gramática chata e normas da ABNT. Mas é só isso. Vazio. Em suma, verde não quer dizer limão, nem com a sinestesia mais amarga e verde. Não, não é. E eu não quero falar sobre isso.
Edvard Munch/Não achei o nome! *Eu sei que tá tudo péssimo, perdon! Mas isso foi escrito por uma quase zumbi antes de dormir, ok? eu também vou reclamar:
Posted
Domingo, Outubro 02, 2005
by Clara Cuevas
" Ouço vozes desde criança! "Poesia em i : "O dialeto das coisas empregnado de si E de todas as suas possibilidades, traduz as causas do verbo ser,e ele por sua vez,sua existência potencial. Não tem plano Cartesiano não. Tem o tempo pra medir as horas, Tem as uvas,tem as cinzas. Tem as uvas que passam,todas ali. Na matéria do seu futuro do pretérito. Tudo indefinido. Escaldante na mente do passageiro, Parado na passagem do tempo." Clara Cuevas/Oct-2005 "[...] a hemorragia da manhã tudo isso em ti se deposita e cala. Até que de repente um susto ou uma ventania (que o poema dispara) chama esses fósseis à fala. Meu poema É um tumulto,um alarido: basta apurar o ouvido." Muitas Vozes - Ferreira Gullar
Edvard Munch-Voice
|