| por uma vida menos ordinária |
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eu também vou reclamar:
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Terça-feira, Janeiro 24, 2006
by Clara Cuevas
"Cuidado com furtos no interior do veículo."***Dê prefêrencia à pessoas idosas, gestantes e deficientes. Porra...me fudi! Tirei meu título de eleitor semana passada... Tirei 8 fotos 3X4 que ficaram BONITAS (acredite isso é raro!) É a terceira vez que vou ter que fazer RG... Meu CPF....tinha decorado estes dias... E eis que eu indo pra minha entrevista de emprego... No biarticulado da capital social... ao som de "Cuidado com furtos no interior do veículo" Fui roubada... E daí? Isso acontece todo dia... É...coisas da vida... Da outra vez um carteiro encontrou meus documentos e coincidentemente entregou cartas aqui em casa, lembrou do meu sobrenome e me falou que viu meus documentos e tals..só que tinha ido tudo pra São Paulo meu... É muita ironia... Na entrevista, pensei sim em falar " Ione, eu fui roubada no ônibus estou nervosa, então se eu tropeçar no espanhol não liga não tá?" Mas nem fiz...e agora José? E agora FODEU! Vou fazer B.O nessa polícia de merda... Vou demorar 50 dias pra ter tudo de novo....e mais 50 vidas pra tirar fotos 3X4 decentes... Ladrão Filho da Puta! Não tinha dinheiro! Tinha cartão, de conta que não existe! Tinha título de eleitor pra votar em gente que eu nunca votei(e nem votaria)! Já sei! Na próxima carteira vou colocar um bilhete assim: "Se fudeu Ladrão idiota! Não tenho dinheiro!! Se fodeu!! Se fodeu!!"
Mas não é tudo... Tomara que todos as gestantes, idosos e deficientes um dia olhem bem com aquela carinha de "Nos dê o seu lugar que é de meu direito" pra ele e ele se sinta tão mal mas tão mal que nunca mais entre num biarticulado... Que ao embarcar as pessoas que desembarcam pisoteiem ele, que todas as portas que ele esteja sejam a porta 3, aquela mesma, a porta mais infernal, lotada e impossível que existe, e que o ser iluminado que estiver com meus documentos ligue pra um dos meus amigos que eu tinha o telefone na carteira e me devolva o mais rápido possível, Grata, Clara Cuevas eu também vou reclamar:
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Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
by Clara Cuevas
"É a nuvem!"***Enfim,depois do fim.O começo. El sol de mis manos Sucede que me canso de ser mujer. Sucede que no quiero más los pájaros, los cuervos, los soles, los sonetos El cariño mórbido del dia a dia. Sucede que mis lunes no sucedem. Sucede que la sonrisa ya no quiere ser vista. Solo el corazón pulsa, pero solo para si. Y así siento que mi vida ya está lista. Sucede que el camino está nublado, y lo que veo son versos vacíos. Y las flores que ya no coloren, están marchitas de frío. Esta es la juventud humana que vivo. Lejos de ser la vida que soñé Pero está en mis manos el camino Para seguir el sol que tanto deseé. Clara Cuevas ***** Perspectivas nubladas É "La nube" do Fernando Solanas, é a nuvem que tá sempre ali em cima rodeando, é a nuvem que há décadas nos há levado sabe Deus pra onde! é a nuvem que o vento traz e leva, é a nuvem que deixa tudo escuro de repente, é a nuvem que esconde um sol preciosíssimo, é nuvem do céu que possivelmente nos espera. Do céu que separa a terra que aqui existe e é nossa, pra um universo inteiro que almejamos sem conhecer.
***Medo do escuro, medo de cair pra cima, medo do infinito... Báh! Tens medo de sonhar!? Se tens é culpa da nuvem, mas aproveite o vento que a leva e principalmente a chuva! eu também vou reclamar:
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Quinta-feira, Janeiro 19, 2006
by Clara Cuevas
"Silêncio"Sou um estrangeiro neste mundo. Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão pesada e um isolamento doloroso. Sou assim levado a pensar sempre numa pátria encantada que não conheço, e a sonhar com os sortilégios de uma terra longínqua que nunca visitei. Sou um estrangeiro para minha alma. Quando minha língua fala, meu ouvido estranha-lhe a voz. Quando meu Eu interior ri ou chora, ou se entusiasma, ou treme, meu outro Eu estranha o que ouve e vê, e minha alma interroga minha alma. Mas permaneço desconhecido e oculto, velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio. Sou um estrangeiro para o meu corpo. Todas as vezes que me olho num espelho, vejo no meu rosto algo que minha alma não sente, e percebo nos meus olhos algo que minhas profundezas não reconhecem. [...] Amas a Verdade, e a Beleza, e a Retidão. E eu, por tua causa, digo que é bom e decente amar essas coisas. Mas, no meu coração rio-me de teu amor. Mas não gostaria que visses meu riso. Gostaria de rir sozinho. Meu Amigo, tu és bom e cauteloso e sábio. Tu és perfeito e eu também, falo contigo sábia e cautelosamente. E, entretanto, sou louco. Porém mascaro minha loucura. Prefiro ser louco sozinho: Meu Amigo, tu não és meu Amigo, mas como te farei compreender? Meu caminho não é o teu caminho. Contudo juntos marchamos, de mãos dadas. ***Excertos de O louco e Temporais de Khalil Gibran Agora Falando Sério Chico Buarque Agora falando sério Eu queria não cantar A cantiga bonita Que se acredita Que o mal espanta Dou um chute no lirismo Um pega no cachorro E um tiro no sabiá Dou um fora no violino Faço a mala e corro Pra não ver a banda passar Agora falando sério Eu queria não mentir Não queria enganar Driblar, ILUDIR Tanto desencanto E você que está me ouvindo Quer saber o que está havendo Com as flores do meu quintal? O amor-perfeito, traindo A sempre-viva, morrendo E a rosa, cheirando mal Agora falando sério Preferia não falar Nada que distraísse O sono difícil Como acalanto Eu quero fazer silêncio Um silêncio tão doente Do vizinho reclamar E chamar polícia e médico E o síndico do meu prédio Pedindo pra eu cantar Agora falando sério Eu queria não cantar Falando sério Agora falando sério Preferia não falar Falando sério
El silencio de la naturaleza-Celia Lacayo [...] Já fez silêncio hoje? eu também vou reclamar:
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Segunda-feira, Janeiro 16, 2006
by Clara Cuevas
"Eu, etiqueta"Em minha calça está grudado um nome Que não é meu de batismo ou de cartório Um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida Que jamais pus na boca, nessa vida, Em minha camiseta, a marca de cigarro Que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produto Que nunca experimentei Mas são comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido De alguma coisa não provada Por este provador de longa idade. Meu lenço, meu lençol, meu chaveiro, Minha gravata e cinto e escova e pente, Meu copo, minha xícara, Minha toalha de banho e sabonete, Meu isso, meu aquilo, Desde a cabeça ao bico dos sapatos, São mensagens, Letras falantes, Gritos visuais, Ordens de uso, abuso, reincidências, Costume, hábito, premência, Indispensabilidade, E fazem de mim homem-anúncio itinerante, Escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda. É duro andar na moda, ainda que a moda Seja negar minha identidade, Trocá-la por mil, açambarcando Todas as marcas registradas, Todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser Eu que antes era e me sabia Tão diverso de outros, tão mim mesmo, Ser pensante sentinte e solitário Com outros seres diversos e conscientes De sua humana, invencível condição. Agora sou anúncio Ora vulgar ora bizarro Em língua nacional ou em qualquer língua (Qualquer principalmente.) E nisto me comprazo, tiro glória De minha anulação. Não sou ¿ vê-lá ¿ anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago Para anunciar, para vender Em bares, festas, praias, piscinas, E bem à vista exibo esta etiqueta Global no corpo que desiste De ser veste e sandália de uma essência Tão viva, independente, Que moda ou suborno algum a compromete. Onde terei jogado fora Meu gosto e capacidade de escolher, Minhas idiossincrasias tão pessoais, Tão minhas que no rosto se espelhavam E cada gesto, cada olhar, Cada vinco da roupa. Sou gravado de forma universal, Seio da estamparia, não de casa, Da vitrine me tiram, recolocam, Objeto pulsante mas objeto Que se oferece como signo de outros Objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso De ser não eu, mas artigo industrial, Peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é Coisa. Eu sou a coisa, coisamente. Carlos Drumond de Andrade
***Bis, Drummond, Titãs, Punks...tudo envolto numa sensação de "estou sendo algo, e ainda não sei o quê". Estou sendo aquilo que queres? O que queres? O que queres ser? O que és? Eu só estou vendo um mundo vazio, aliás, cheio de poluição visual isso sim. Mas é assim, encostou o dedo, fura, estoura, e só tem ar... Ar artificial! Ar condicionado e preso da Junta Comercial do Paraná! Ar comprimido na ânsia dos estagiários mal pagos, dos funcionários públicos infelizes... Ar que foi feito cuidadosamente em laboratório para um custo menor, uma melhor durabilidade, uma reciclagem... Porra! Cadê o meu mundo? É isso daqui? Não foi isso que eu comprei! Não! Eu não quero embalado! Não é pra viagem! Quero comer agora! "Especial pra você" (o McDonalds tem a pachorra de colar um adesivinho desses na sua caixinha quando você pede um Bic Mac sem picles sabia?) - Mas me diz é especial por quê? Moça, você não tá entendendo, eu só pedi sem picles! - Eu entendo minha senhora, mas é que esse Big Mac tem mais veneno, entende? - Mas eu só pedi sem picles! - Mas daí vem mais agrotóxico no alface... - Aahh... - Pra compensar, entendeu? - Aaahh...entendi... - São dez reais! - Então tá bom, obrigada! E saio eu com um adesivo "Especial pra você" colado na testa. Especial pra você = IDIOTA ***Isso não me aconteceu graças a Deus... eu também vou reclamar:
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Domingo, Janeiro 15, 2006
by Clara Cuevas
"Bichos Escrotos"Titãs Bichos, saiam dos lixos Baratas, me deixem ver suas patas Ratos, entrem nos sapatos Do cidadão civilizado Pulgas, que habitam minhas rugas Oncinha pintada, Zebrinha listrada, Coelhinho peludo, Vão se foder! Porque aqui na face da terra Só bicho escroto é que vai ter! Bichos escrotos, saiam dos esgotos Bichos escrotos, venham enfeitar Meu lar, Meu jantar, Meu nobre paladar
------ **Querem meu sangue! eu também vou reclamar:
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Terça-feira, Janeiro 10, 2006
by Clara Cuevas
"Punga"Querem comprar meu silêncio Com promessas baratas Pessoas mesquinhas Com problemas menores Com cabeças menores Com valores menores Querem ganhar minha fala Querem roubar minha vez Sem técnica nem prática Sem teoria, sem didática Querem que eu suma Querem que eu aprenda A ser apenas mais uma Querem que eu finja Querem que eu faça Calhordas! Mantidos Por porcos bandidos Por falsas gravatas De seda barata Por luxo, por sede Papel de ouro verde Querem que eu cale Na falta de votos Na escassa vitória Dos fracassados natos Querem que eu me acostume Com o escárnio do mundo Com a invalidez dos cegos Que não querem ver Quero que morram todos Um por um! Enforcados na própria gravata Sufocados pela moeda cretina Comidos pelas baratas e Pelas próprias doutrinas Quero que sejam banidos Pela piedade divina Mas antes disso repudiados Pelas justiças da vida. Clara Cuevas/2003
William Gropper - Ladder of Success ***Não adianta! Vou ficar feliz quando este poema não fizer mais sentido, quando eu não precisar me contentar com estatísticas, quando eu não mais me sentir orgulhosa com a presença da mulher no mercado de trabalho, e quando tudo absolutamente tudo isso for desnecessário por que será algo como ligar a tevê, ir comprar pão ou ver gente passando na rua... eu também vou reclamar:
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Domingo, Janeiro 08, 2006
by Clara Cuevas
"Só...""Fi-lo porque qui-lo." Jânio Quadros ****Decida-se Ninguém vai escolher por mim ou por você. Seja a roupa, o corte de cabelo, a comida, o trabalho, o emprego, o salário, a briga, o amor, o caminho, a vida e a morte. Se acostumo a deixar as responsabilidades para outro, logo o outro se acostuma a decidir por mim. Não brinco mais de bonecas e não sou boneca para ser manuseado. Se acendo um cigarro, assumo as conseqüências; se apago, faço por meus motivos. Dane-se o ministério da Saúde. Se acordo tarde é minha vida que se perde. Se comprometo seu tempo de vida, me mande à merda. Ninguém pena suas dores. Compaixão tem limites. Te ver sofrer me dói, e mesmo assim continuamos sendo eu e você. Se estou ao seu lado é pela conveniência da vida; se não se afasta de mim, a qualquer momento pode ser que isso seja exigido. Os mil projetos são as mil rugas em meu rosto no caixão. Cada uma delas revela a vida desperdiçada. Não faço planos, eu realizo. Não me perco em dúvidas, eu decido. Se as conseqüências forem terríveis, quem me garante que não seria pior ter ficado esperando. Poste iluminando a calçada vazia, isso eu não sou. Se escolho, escolho por ser o natural a ser feito. Ninguém me obriga. Se estou lendo o que está escrito, faço porque quero; e se você disser o contrário, dane-se. Talvez você viva um ano mais, um mês, um dia, uma hora. No próximo exame será detectado um câncer galopante; na próxima esquina um babaca bêbado te pega. Ao tropeçar no vão da calçada o grande amor te apoiará; ao abrir a porta do elevador, será revelada a santidade de teu nome. Decida-se no momento que a dúvida se apresenta. Viva de acordo com o momento. Esperar não amarra a apenas tua língua, imobiliza o universo e transforma tudo em nada: lago de água salobra onde já existe uma superpopulação de idiotas. (texto retirado do folheto "Cornélio") É um texto duro. Eu achei, mas verdadeiro, sincero, transparente. Enfim somos todos indivíduos de si. E não importa o quão envolvidos, doentes e parentes nós somos. Somos sós. Só eu sei o que sinto. O que fiz, o que falei, onde fui, só eu sei. E isso é bom, apesar do gosto ruim da solidão. Há um mundo inteiro a ser descoberto, por fora e por dentro. Queremos viajar no espaço e esquecemos da terra maciça que vivemos. Eu quero ajudar o mundo individualista e perverso ao mesmo tempo que esqueço que por dentro não sou muito diferente dele. É meu irmão, eu não sou diferente de você e não me olhe assim...
*** Just do it eu também vou reclamar:
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Quarta-feira, Janeiro 04, 2006
by Clara Cuevas
"Suspiros"
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*** E o que há de mais saboroso no mundo?
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