por uma vida menos ordinária
eu também vou reclamar:




As palavras me limitam ao nascer. Já me dão nome.

Eu me chamo. E você como se chama?

- Tem nome?

Ter já limita muita coisa. Já não mais sou. Possuo apenas.

Mas há uma pena maior em tudo isso.

Educação.

- Deve ser assim. Assado. Cozido. Frito.

Nem você conhece o teu sabor .

(e briga com o outro se não compreende)



Tupinambá. Poligamia. Canibalismo.

Não tinha fome. Tinha espaço.

Tinha espaço pra dentro.


Espaço pra ser vasto. Ser largo. Selvagem.

Bororo, Caeté, Guarani, Jê.


A selva tem uma voz uníssona :

- Sê!






Clara Cuevas



eu também vou reclamar:


Cultura popular é:




ir no centro a tarde depois do almoço de chinelo pagar conta,
tomar caldo de cana e levar cantada de pedreiro.


No centro. Praça Rui Barbosa. Quem mora em Curitiba conhece.



ACORDA PRA VIDA MULHER!



CORRE, PEGA O ÔNIBUS, PULA, FAÇA FAÇAFAÇA FAÇA ANDA, ATROPELA, CONSEGUE, FAZ, CHEGA, SEJA A PRIMEIRA ACONTECER ACONTECER ACONTECER PEGUE O PRIMEIRO E O MELHOR LUGAR, CONSIGA, FAÇA FAÇAFAÇA FAÇA FAÇA TUDO NO MENOR ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER PERÍODO DE TEMPO. FAÇA FAÇAFAÇA FAÇA NINGUÉM É INSUBSTITUÍVEL FAÇA FAÇA FAÇA FAÇA FAÇA FAÇA FAÇA FAÇA FAÇAFAÇA FAÇA FAÇA FAÇAFAÇA FAÇA FAÇA FAÇA TEMPO É DINHEIRO ACONTECER ACONTECER ACONTECER CORRE CORRE CORRE PEGUE TUDO COMA TUDO FAÇA TUDO TUDO TUDO TUDO ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER ACONTECER PEGUE TUDO COMA TUDO TUDO TUDO



Repetir palavras dá LER na cabeça.



Prefiro variar. Fiquei no tubo esperando o ônibus na minha. Tomando caldo de cana. Rindo da música do pedreiro.



Fila de votação para eleição da Assembléia Contituinte e Presidência da República. SP / 1945



"Não faz asssiim paixãããããoooo". ♪♪♪♪♪♪♪♪



Clara Cuevas




eu também vou reclamar:


Sonetos em tempos nublados







No hay que llorar porque las plantas crecen en tu balcón, no
hay que estar triste
si una vez más la rubia carrera de las nubes te reitera lo
inmóvil,
ese permanecer en tanta fuga. Porque la nube estará ahí,
constante en su inconstancia cuando tú, cuando yo -pero por
qué nombrar el polvo y la ceniza.

Sí, nos equivocábamos creyendo que el paso por el día
era lo efímero, el agua que resbala por las hojas hasta
hundirse en la tierra.

Sólo dura la efímero, esa estúpida planta que ignora la
tortuga,
esa blanda tortuga que tantea en la eternidad con ojos
huecos,
y el sonido sin música, la palabra sin canto, la cópula sin
grito de agonía,
las torres del maíz, los ciegos montes.

Nosotros, maniatados a una conciencia que es el tiempo,
no nos movemos del terror y la delicia,
y sus verdugos delicadamente nos arrancan los párpados
para dejarnos ver sin tregua cómo crecen las plantas del
balcón,
cómo corren las nubes al futuro.

¿Qué quiere decir esto? Nada, una taza de té.
No hay drama en el murmullo, y tú eres la silueta de papel
que las tijeras van salvando de lo informe: oh vanidad de
creer
que se nace o se muere,
cuando lo único real es el hueco que queda en el papel,
el golem que nos sigue sollozando en sueños y en olvido.

Cortázar


***De fato, quisera eu que o índio tivesse despido o português. Estaria despida de outras mil coisas mais.
E você também. Mas chovia bastante. E o homem de açúcar acabou fugindo da nuvem.


Esqueceu que precisa dela pra colher.


Clara Cuevas



eu também vou reclamar:




A Prosa Impúrpura do Caicó
Elba Ramalho


Ah! Caicó
Arcaico
Em meu peito catolaico
Tudo é descrença e fé
Ah! Caicó
Arcaico
Meu cashcouer mallarmaico
Tudo rejeita e quer
É com é sem
Milhão e vintém
Todo mundo e ninguém
Pé de xique-xique
Pé de flor
Relabucho velório
Videogame oratório
High-cult simplório
Amor sem fim desamor
Sexo no-iê
Oxente oh! Shit
Cego Aderaldo
Olhando pra mim, Moonwalkman





Pensamento sexo no-iê: Não entristeça o feto com o pensamento!!!!



lar doce lar