por uma vida menos ordinária
eu também vou reclamar:




PUNGA




Querem comprar meu silêncio
Com promessas baratas
Pessoas mesquinhas
Com problemas menores
Com cabeças menores
Com valores menores
Querem ganhar minha fala

Querem roubar minha vez
Sem técnica nem prática
Sem teoria, sem didática
Querem que eu suma
Querem que eu aprenda
A ser apenas mais uma

Querem que eu finja
Querem que eu faça
Calhordas! Mantidos
Por porcos bandidos
Por falsas gravatas
De seda barata
Por luxo, por sede
Papel de ouro verde

Querem que eu cale
Na falta de votos
Na escassa vitória
Dos fracassados natos
Querem que eu me acostume
Com o escárnio do mundo
Com a invalidez dos cegos
Que não querem ver

Quero que morram todos
Um por um!
Enforcados na própria gravata
Sufocados pela moeda cretina
Comidos pelas baratas e
Pelas próprias doutrinas
Quero que sejam banidos
Pela piedade divina
Mas antes disso repudiados
Pelas justiças da vida.

Clara Cuevas/2003


Esse poema foi feito minha gente, em 2003. E não é que ainda vejo sentido nele?

Eu não consigo votar. Queria não ir pras urnas. Queria confiar na desobediência civil.

Mas o que fazer com toda liberdade do mundo?





Se já somos prisioneiros de nós mesmos, e nem liberdade temos para sê-los, sermos, sendo!


Sangue, suor e barricadas?!


Trabalho logo existo.


- Ô disgrama!!!!


Clara Cuevas



eu também vou reclamar:


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Deixa eu te explicar uma coisa.


Se eu quiser, me deixa fazer. Não me impede. Não tenta. Não tem porquê.
Se eu quiser te morder, deixa. Não vai doer tanto assim a ponto de não aguentar mais.
Deixa tua confiança em mim. Cê sabe que eu sei quando parar. Então deixa.
Sossega com esse sofrimento. Não tem ninguém filmando.
Não te machucaria e você não deveria fazer isso por mim.
Você tira proveito de mim e eu de ti, nessa troca fazemos movimentos felizes de amor.
A tua busca é minha busca só que al revés.
Não ligue se eu sair correndo. Só quis sair. Não precisa. Você não é de todo ruim. Nem eu.
Não vou te ligar se não quiser, nem dar oi, nem pensar em você quando não penso.
Isso é impossível. Não inventa. Se eu quiser mudar eu mudo, não te pergunto.
Se quiser repetir textos, repetir pessoas, repetir momentos, repetir suspiros, repetir palavras.
Me deixa. Ninguém mandou me ler. Nem botar o focinho aqui ou lá.

Meu Amigo, não sou o que pareço. O que pareço é apenas uma vestimenta
cuidadosamente tecida, que me protege de tuas perguntas e te protege da minha negligência.

Meu Amigo, o Eu em mim mora na casa do silêncio, e lá dentro permanecerá para sempre,
despercebido, inalcançável.

Não queria que acreditasses no que digo nem confiasses no que faço pois minhas palavras
são teus próprios pensamentos em articulação e meus feitos, tuas próprias esperanças em ação.

Quando dizes: "O vento sopra do leste", eu digo: "Sim, sopra mesmo do leste" - pois não queria
que soubesses que minha mente não mora no vento, mas no mar.

Não podes compreender meus pensamentos, filhos do mar, nem eu gostaria que compreendesses.
Gostaria de estar sozinho no mar.

Quando é dia contigo, meu Amigo, é noite comigo. Contudo, mesmo assim falo do meio-dia que dança
sobre os montes e da sombra de púrpura que se insinua através do vale: porque não podes ouvir as canções de
minhas trevas nem ver minhas asas batendo contra as estrelas e eu prefiro que não ouças nem vejas.
Gostaria de ficar a sós com a noite.

Quando ascendes a teu Céu, eu desço ao meu Inferno - mesmo então chamas-me através do abismo
intransponível, "Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada", e eu te respondo: "Meu Amigo, Meu Companheiro,
Meu Camarada" - porque não gostaria que visses meu Inferno. A chama queimaria teus olhos, e a fumaça encheria
tuas narinas. E amo demais meu Inferno para querer que o visites. Prefiro ficar sozinho no Inferno.

Amas a Verdade, e a Beleza, e a Retidão. E eu, por tua causa, digo que é bom e decente amar essas coisas.
Mas, no meu coração rio-me de teu amor. Mas não gostaria que visses meu riso. Gostaria de rir sozinho.

Meu Amigo, tu és bom e cauteloso e sábio. Tu és perfeito - e eu também, falo contigo sábia e cautelosamente.
E, entretanto, sou louco. Porém mascaro minha loucura. Prefiro ser louco sozinho:

Meu Amigo, tu não és meu Amigo, mas como te farei compreender? Meu caminho não é o teu caminho.
Contudo juntos marchamos, de mãos dadas.*


*Khalil Gibran.


/

Dá pra entender isso?
Eu posso te querer e isso deveria bastar.
Quer alguém que te precise? Visite um asilo, um hospital.
E ainda vai encontrar surpresas.
Alôôôô. Não te preciso. Só quero. Entendeu?
Não há solidão. Há eu e você.

E só.

O que quer mais?

Estou bem assim. Obrigada.






*amo demais meu inferno pra querer que o visites.


Bem que podias me querer desse jeito,
com esse medinho de não ser pra sempre,
correndo o risco de ser cada beijo o último,
e cada suspiro ser tudo e de repente.



Clara Cuevas



eu também vou reclamar:


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Orvalho e lágrimas - música de Sebastian Bach, Ludwig Bach e Ernst Bach.



"
[...], sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém
sabe o que será."


- O mundo é assim, pega e desapega, ama e esquece, vive morto, morre e começa a viver, paga e não tem,
não paga e vai preso, compra e é, faz mas não garante, é assim Clarinha, é assim...



Me esparramo no mundo pelas minhas ações, a partir daí produzo/deixo algo do que sou e preciso.
Mas o bom mesmo é o usufruto daquilo que se quer.


Ahhhh!!


**Depois da farra ( de análises), vim pra casa, de manhã, manhã linda, linda, linda, gelada.
Tava passando na praça, me deparei com uma planta toda cheinha de orvalho.
Orvalho lindo, quase caindo, passei com o dedo na folha. Depois senti o gelado no rosto.


Orvalho sim é água benta.
Orvalho da manhã.
Quase benta.



- Se é que é realmente preciso bendizer alguma coisa.


Clara Cuevas



eu também vou reclamar:



C.Cuevas: Os sem-princípios da Revista Histórica




Aprendemos que a neutralidade não existe. Mas ainda é arriscado dar a cara à tapa.

É mister estar certo, embasado nas pesquisas sérias de pessoas sérias, de instituições sérias e de respaldo (se possível) científico (e sério, claro) e agora sem ignorar a subjetividade, a micro-história e até a cultura popular. E agora, Monod?
Nos últimos tempos o leque para o que se considera "fonte" em relação à história se abriu muito.
Logo tudo tem história, é história e faz parte de uma. E o que há de tão errado nisso?
Pensemos se isso tivesse sido valorizado desde o início, o quão mais rica seria a história.
Há quem veja conflito neste processo. Em vez de utilizar as duas vertentes como ferramentas complementares, não, utilizam como conflituosas. E há tanta discussão sobre isso que os temas deixam de ser ferramentas pra virar disciplina, instituição.
É claro que existem conflitos, mas não justificam qualquer intenção de segregar a produção histórica.
Cabe ao historiador, ainda incentivado pela curiosidade de conhecer a história passada, estudá-la e analisá-la sem esquecer que vive num contexto também histórico, chamado "presente", ele é portanto, tão personagem como foi o camponês, o Napoleão, ou a mulher medieval que ele tanto estuda.
Quem é que produz história com a consciência de que também é personagem desta? Quem é que vive com a sensação de que está em um momento histórico sem precisar ligar a televisão ou abrir um jornal? Há todo um contexto social construído nesta questão, mas é tema para um outro texto.
Há um descontexto. Produzimos história a toda hora, sem devida ciência! (ciência do ato de estar ciente, por favor).
É um descontexto do sujeito, que se vê produtor de histórias que não são vividas por ele. E a vivida por ele é escrita por quem? Por outros sujeitos descontextualizados de sua existência histórica.
Mas também, preocupados com conceitos mínimos, tão vastos, infinitos e embolados, que assolam o fazer histórico há anos, fica difícil perceber esse contexto.
Essa preocupação toda baseada nos supostos conflitos já pode começar a se amenizar, já que aprendemos que não há verdade absoluta, bem como a neutralidade é utopia, da mesma forma que o "tudo é relativo" deve ser bem questionado e que toda objetividade exige uma subjetividade, e vice-e-versa.
Faço votos para que passemos a usar estes artifícios levando em conta suas próprias histórias.
Mesmo por que sem estas, eles não seriam nada! Levando em conta os métodos, as fontes, os objetos e o próprio sujeito produtor da história. Acompanhados de seus respectivos contextos formadores. Que apesar de não serem contemporâneos entre si, não são necessariamente antiquados. Ainda assim é preciso entender o homem no seu devido tempo!
É indiscutível a relação entre um pensamento e outro. Ainda que esta relação seja justamente a antítese.
Que a história seja livre, sem se preocupar com objetivos de progresso, nem de ter qualquer responsabilidade sobre nada ou alguém.
Mesmo por que isso é função vista do homem para com a história e ela que eu me lembre, não disse nada.

Ser universal, esta é a moda atual.
Um slogan historiográfico longe de virar revista.





NÃO DEIXE A HISTÓRIA MORRER!!!!



**Paráfrase de Os princípios da Revista Histórica., n 258,Abril-Junho de 1976.,pp. 322-324(extractos)
(Retomada do texto original do Manifesto, de 1876: G.Monod, Do Progresso aos estudos históricos em França.)




Clara Cuevas



eu também vou reclamar:


Anomalias perdidas





**Mais uma daquelas aberrações voadoras do caderno de história.


A priori;
A posteriori;
porqueriori?

- - - - - - -

Sou sua
máquina de sexo
Clique aqui.



- Ele quer o ópio?



O homem a frente de seu tempo:
- Ah, nós temos uma estrutura essencialmente religiosa, não é mesmo?
(disse o plebeu rindo ao seu senhor feudal numa tarde típica de Lyon)



- Sabe o a fresco, você pinta, daí seca, daí sabe aquela camada fina que fica por cima? Pois bem, isso é a verdade.


As melhores palavras
nascem do fruto
de uma afrustração.



APÁTICA:
.Não tenho bulimia, pois escrevo.




As explosões são altas, as depressões profundas.
Entre existir ou não, há um período inventado por uma suposta consciência que nos faz sentir
( já que as reações químicas ocorrem na cabeça) que somos qualquer coisa que almejamos ser.
É uma constante farsa, mas não tão dura, já que você acredita nela e o resto do mundo nunca vai saber.
- Tudo ciclo do carbono mesmo!
As vezes dá vontade de acreditar em algo mais profundo, mas não precisa.
Se há algo é o vazio, vazio ás vezes difícil de engolir.

O que me nutre me destrói e eu acabo pesando o mesmo.





- Mãe, este é o meu saco de compras. Diga Oi. Isso. Agora clique enter.



Clara Cuevas




eu também vou reclamar:




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Saudosismo/ Caetano Veloso




Curitiba: Um Pouco Alegre, nem tão triste



Eu, você, nós dois
Já temos um passado, meu amor
Um violão guardado, aquela flor
E outras mumunhas mais
Eu, você, João
Girando na vitrola sem parar
E o mundo dissonante que nós dois
Tentamos inventar
Tentamos inventar
Tentamos inventar

Tentamos

A felicidade
A felicidade
A felicidade

A felicidade
Eu, você, depois
Quarta-feira de cinzas no país
E as notas dissonantes se integraram
Ao som dos imbecis
Sim, você, nós dois
Já temos um passado, meu amor
A bossa, a fossa, a nossa grande dor
Como dois quadradões

Lobo, lobo, bobo
Lobo, lobo, bobo
Lobo, lobo, bobo
Lobo, lobo, bobo

Eu e você, João
Girando na vitrola sem parar
E eu fico comovido de lembrar
O tempo e o som
Ah, como era bom
Mas chega de saudade,
A realidade
É que aprendemos com João
Pra sempre ser desafinados

Ser desafinados
Ser desafinados

Ser

Chega de saudade...

Chega de saudade!



Não quero que me compreendas, pois aquele que compreende escraviza qualquer coisa em nós


Mas é tarde demais. Me afoguei no Guaíba. Em vinhos, sorrisos, Chico, beijos e mágoas.

- Que mágoas? Isso é hora?

Chega de saudade! Chega de saudade! Chega de saudade! Chega de saudade! Chega de saudade!


- Cada kilômetro é um beijo que me deves.


Clara Cuevas


lar doce lar