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Sábado, Junho 30, 2007
by Clara Cuevas
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Foram quatro bares naquela noite, não sei qual é o nosso problema que a gente vai migrando de bar em bar mas é sempre assim. Uma hora estávamos em quatro, um foi levar a guria até o carro do pai e o outro foi ao banheiro. Por um instante sobrou eu e a Skol na mesa. É muito fácil fazer amigos num boteco, questão de segundos. Em seguida já juntamos as mesas. Três homens. Menos de quarenta nenhum tinha. Ela tem o sorriso bonito! - disse o mais magro de camisa vermelha. Esse tipo de comentário faz a gente sorrir automaticamente de novo, malditos. Mas existe um processo mais automático que começa quando o cara senta pra conversar com uma mulher: ele inventa todas as histórias do mundo pra tentar levar ela pra cama. Todas as afinidades, viagens, metas, projetos e perguntas que acha que vão intrigar alguma coisa. E óbvio, se o monte de testosterona não sente nem cheiro e nem possibilidade de sexo, o homem migra! Então este senhor de cinqüenta anos, pseudo-um montão-de-coisa e safado, achou uma menina que disse “Vamos”. Não, não era eu. Uma menina de cabelo curtinho muito doida. Uma hora meu amigo que trocou um isqueiro por um beg (!) ficou: Beg, beg, beg, beg, quero fumar meu beg! Então vai lá fora, meu filho, fumar a porra do teu beg... Com ele foram os dois velhões. Conosco ficou o Gustavo, velho safado e viciado igual mas muito gente fina, rimos muito falando muita besteira. Quarenta e cinco anos, casado duas vezes, três filhos e uma faculdade não terminada. Diz que tem sorte com guriazinha da minha idade. E a gente ria das besteiras e dos desarmes que eu fazia das indiretas dele. Isso é bom do cara mais velho. As satisfações dele são dívidas que ele criou em relação ao tempo que viveu, que tem pra viver e às quantidades sim, mas ele sabe o quão e quando é bobo. E não tem medo de rir disso. Cocaína sim, todos os três. Os caras eram doidos, malucões. Meu amigo voltou sozinho e pasmo: Porra, o cara falou que queria que eu chupasse o pau dele enquanto uma mulher ficava em cima. Caralho... Eu não entendi muito a cena, mas se o cara falou né. Acho que ficou pasmo por que nunca pensou que receberia este tipo de convite. Muito menos de um senhor e muito menos naquela noite tão normal. Esse tipo de gente eu não tinha conhecido ainda. Muita cocaína, muita. Vou no banheiro “me animar”- dizia. Muito cabelo grisalho, muito. Muito tempo. Muito... Fiquei pensando.
Clara Cuevas
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Quarta-feira, Junho 27, 2007
by Clara Cuevas
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o golpe covarde do último suspiro
- abandone as esperanças, tudo por aqui é teia de aranha, seu mosquito! * Faz muito tempo já, em uma caçada fugaz e um pouco purulenta, consegui levar pra casa o tal bicho. Não foi difícil, mas não comi. Cacei de novo, comi por ali umas moscas, umas larvinhas, uns artrópodes sem sal, mas aquele guardei. Guardei por que meu instinto aracnídeo me diz que aquele inseto é do tipo de invertebrado que a gente deixa por dias entrelaçado na teia, observando e mexendo antes de levar às presas, antes de levar à boca, as pressas. Mas não, pequeno, não seja breve, eu não tenho tanta pressa assim. Não agora. É tudo métrica tecida cuidadosamente pra que você possa se distrair um pouco enquanto eu te olho. Te miro. Te analiso pra ver se acho um pouco de mim aí, nessas asinhas tão finas. Minhas vontades não vêm do apetite, vêm da fome, é verdade. Mas vêm de dentro e chega até a ser engraçadinho, te ver assim em minha vida tecida, tão entediado, esperando qualquer decisão tola e definitiva que eu tome. Eu te alimento e gordinho me pareces ainda mais adorável. Você vibra a teia, eu sinto de longe e venho correndo. Gosto de sentir a água descer pelas minhas presas. Minha teia é irregular mas meu coração é bom, é sério. Mas não se negue, minha fome é clara. E meu tecer também. Estão sob luz do dia e das estrelas da noite. Estão a margem de todos os olhos de todo o mundo natural. Quem quiser que veja. E você vê também. E se vê aí, tadinho, se debatendo. As vezes desiste. As vezes tenta. Quase consegue. Mas não sai. Se esforça, se irrita. Me chama de peçonhenta, de armadeira, caranguejeira, negra, marrom, praga! Mas você também é praga. Pra mim e pra todo o mundo. Eu poderia te devorar rapidamente. E você nem sentiria nada. Eu te engoliria e em um fôlego amargo tudo estaria acabado. Ó minha marmita, meu almoço revestido em seda aluminada. Mas não consigo. De predadora furtiva passei a escrava automática, quase formiga. Não sei mais quais são os instintos. Estou presa aos teus olhos de mosquito.
*trecho em negrito do tema "Perdido nas estrelas" de Itamar Assumpção
Clara Cuevas
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Terça-feira, Junho 26, 2007
by Clara Cuevas
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E então, de repente a alegria natural da juventude acabou. Ficamos todos quietos. O vento batia na cara mas não me fazia sorrir mais, nem a música, nem os amigos, nem nada.
Uma sensação no meio do caminho assim, como que fazendo com que a gente parasse a vida por motivo de força maior tomou conta de todo o ambiente.
Uma tristeza sem fim, uma vontade de cometer o suicídio mais dramático e lento. Era como se todo o mundo tivesse morrido e nós, também quiséssemos morrer. Nada fazia sentido. A vida por si só é um instrumento letal.
Não adiantava correr. Era uma longa viagem, essa vida. E naquele percurso, todos estávamos perdidos. Onde chegaremos com essa vida medíocre?
O mundo vale a pena? Não. Tudo é mentira. Ilusão. Só o suicídio coletivo seria a resposta. Eu pensava em algo pra poder melhorar mas de fato nada que passasse pela minha cabeça poderia valer a pena. O fim era irreversível.
Do lado direito vejo o abismo. Do esquerdo, a serra. Puxo o volante ou não? Para qual lado?
Clima tenso. Olho o motorista. Meu amigo estava quase chorando, e então pensei que eu não precisaria jogar o carro pro abismo.
Ele faria isso por nós. O silêncio falava por todos e nos doía cada vez mais. Clima tenso. A decisão final é tomada.
Paramos o carro.
Clara Cuevas
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Segunda-feira, Junho 25, 2007
by Clara Cuevas
"La esperanza se hizo una casa y le puso una baldosa que decía: "Bienvenidos los que llegan a este hogar". Un fama se hizo una casa y no le puso mayormente baldosas. Un cronopio se hizo una casa y siguiendo la costumbre puso en el porche diversas baldosas que compró o hizo fabricar. Las baldosas estaban colocadas de manera que se las pudiera leer en orden. La primera decía: Bienvenidos los que llegan a este hogar. La segunda decía: La casa es chica, pero el corazón es grande. La tercera decía: La presencia del huésped es suave como el césped. La cuarta decía: Somos pobres de verdad, pero no de voluntad. La quinta decía: Este cartel anula todos los anteriores. Rajá, perro.
[...] Y otro día, otro cronopio se hizo otra casa. Descolgó un coco de la nube más cercana, le dio veintiún golpecitos a modo de saludo; y corrió a buscar el tubo de la pasta dentífrica que guardaba dentro de un antiguo libro de alquimia.
Se sentó en el jardín de su casa nueva y (apretando el tubo antes mencionado de la manera en que sólo lo hacen los cronopios) escribió sobre el coco: "¿Así que ya has llegado"?. Al ver que no obtenía respuesta, buscó otro coco y escribió en él: "No hay peor sordo que el que no quiere oir; ni peor miope que el que no quiere responder". Y luego, en un tercer coco: "Tengo mate amargo y cerveza helada, por si llegas algún día".
Júlio Cortazar
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Sexta-feira, Junho 22, 2007
by Clara Cuevas
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nem formol, nem sal - aqui, o crime da prova...
Descarga do Solstício de Inverno
Essa noite não podia ficar assim...eu não poderia deitar e dormir simplesmente... Caros, esta é a noite mais longa do ano. Realmente, são duas da manhã e meu corpo acha que é quatro. Minhas pupilas não acham nada...só admiram as palavras encontradas nas antigas publicações de blogs (de amigos) que estão vivos até hoje. Blogueiros amigos, sim, pra não perder a inspiração a gente tem que tirar o ins das palavras. Sim, esse é o canal.
Numa noite dessas, sem compania, sem conversas, sem nada (ingrata, estou escutando música), eu só poderia vir aqui escrever mesmo. Acabo de ler textos que falam sobre a boemia (não essas populares, as boemias true mesmo, aquelas da nossa imaginação) , sobre a anarquia natural do desfalecimento pessimista das coisas, sobre a nossa falta (sem sentir falta) de qualquer coisa que seja deus, diabo ou infinito. A gente gesticula, pira, inventa dá forma a tudo. Somos um bando de desfalcados. Estava pensando nisso hoje: eu, futura historiadora (mas, você vai ser professora, Clara?) (Ah, você acha...que coisa...) vou me foder pra ganhar dinheiro. Sim, calma, a novidade não para por aí, raparigo, então penso nos mais fodidos que eu: os artistas (formados em música ou artes plásticas em geral), a maioria se fode muito pra se manter só da arte. Então pensei nos mais fodidos ainda, nos não-formados e sossegados do mundo: os hippies. Estes sim, absolutamente não têm direito ao capital. Eles que arquem com as conseqüencias!
Alegam que nós não podemos receber muito por que não produzimos nada para a sociedade. A história é subjetiva demais, o cinema é subjetivo demais, a música é subjetiva demais! Quanto é que custa/vale a subjetividade? Você quer um mecenas aqui na América do Sul, ô rapaz latino-americano?
Oras, nessa ridícula lógica o nosso gari - corajoso e gente fina moço que recolhe a nossa primeira produção humana na terra chamada lixo - deveria receber muito mais do que o gerente administrativo da área de produção de marcas e acessórios para a introdução das latas de refrigerante no terceiro mundo - Southern Node dizem. Produz limpeza ao juntar a sujeira que todo o mundo faz questão de esquecer. Sujeiras esquecidas. Não quero nem comentar sobre o nosso subconsciente.
É mais óbvio ainda do que tudo que eu já disse que a nossa sociedade é composta de paradoxos, mentiras e outras barbaridades em geral. Mas hoje eu me assustei, pois me deparei com essas merdas assim, de surpresa, distraída. Depois da aula passei no mercado. Andando com a cestinha típica de mercado " Somos limpos e felizes, venha ser feliz conosco senhora, olha aqui esse tomate que bonito, música agradável, sorrisos, vem comprar" geralmente azul marinho ou vermelha inventada milimetricamente por algum indivíduo que cursou Desenho industrial / projeto do produto, e leio na área de cosméticos e higiene: SHAMPOO DE CHOCOLATE SEM SAL.
Cara de espanto é gentileza da tua parte. Cara de caipira, de bicho, sim, obrigada. Meu espírito tão acostumado com a sutil sinestesia poética do dia-a-dia se deparou com a confusão simples dos sentidos comerciais. Como assim um shampoo (produto de higiene para cabelos) vai ser de chocolate (alimento doce a base de cacau inventado pelos Astecas há milênios) e sem sal. Sem sal meu deus...sem sal...shampoo sem sal.
Virando a esquina pra virar a rua cheia de sacolas cheias me esbarro em um cartaz enorme e divinamente iluminado e luminoso: Circo du Soleil - INGRESSOS PARCELADOS EM ATÉ 8X SEM JUROS NO SEU CARTÃO AMERICAN EXPRESS CARD. Ingresso parcelado...ingresso parcelado meu deus...parcelado...não é pra ser um espetáculo? Me lembrou da páscoa, época em que o povo compra duzentos ovos de chocolate pra toda sua célula (lê-se câncer) familiar e paga (minto, estão pagando ainda) até outubro...até outubro meu deus...até outubro.
Chego em casa: Clara! Vai ver no Jornal da Globo, você vai gostar, passou no Jô, estão fazendo turnê pelo Brasil - meio desconfiada e com vários insetos atrás da orelha ligo a TV na Globo: TECNOTANGO. TecnoTango meu deus, TecnoTango...ou é tecno ou é tango, e não me venha falar da influência do jazz na MPB, ou da fusão dos regionalismos com o rock dos anos 70 e 90. "Ai, é que se não se adaptar acaba" , acaba ô cacete! Acabou. Acabou! Desliga logo essa merda. Meu deus...nunca vi na vida um troço desses. Uns troços destes. Fica até difícil de falar.
Olha, eu não sei das covas cavadas para e por nós bípedes qual vai ser a minha, as únicas covas que possuo no momento são as do rosto e falando em neném, nem os dentes do ciso tenho ainda. Nessa extensão, admito: não consigo achar conclusão pra nós, os bailarinos, músicos, poetas, pintores, arte-educadores, escritores, produtores de qualquer coisa sem valor ou sentido, boêmios e toda corja renegada as vezes (anti) social. Me perco nos quesitos consumo, tecnologia, instituição. Mas tá certo, emocionalidades a parte " A vida não é boa nem má, aguarda apenas a nossa decisão". Grande Itamar Assumpção. Esse morreu também, esse acabou... acabou... acabou meu deus.... acabou. Acabou nada, não são nem três horas da manhã ainda, e o sono minha clara, demora em noite demorada.
Cheguei a conclusão que escrever é de alguma forma e as vezes, falar sozinho. É...deve ser mesmo.
Clara Cuevas
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Sexta-feira, Junho 22, 2007
by Clara Cuevas
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Tenho insônia, resistência, força de vontade, consigo me controlar e abdicar de uma torta de nozes, de um mousse de chocolate, de um quindim. Claro que com muito esforço e concentração. Mas é impossível resistir a minha Clara dormindo. Pode testar com a sua nega. Tente assistir a um filme na cama. Ela pedirá de propósito para abaixar o volume da tv. Você aceitará o apelo para aumentá-lo depois, quando não estiver controlando a imagem. Ela deita de lado, como uma árvore aprendendo a assobiar. Sussurra baixinho. Não é ronco. É respiração densa, uma sinfonia do seu batimento. Um vento com estilo. Uma brisa depois da porta. Uma música sendo composta. O pescoço aberto para o seu rosto, espaço ideal de concha. Os cabelos penteados pelos lençóis. A nuca perfumada do banho. Os pés dela no fundo das cobertas como um leme alterando a direção dos seus. Tudo meticulosamente planejado para desistir das legendas. Um convite inaceitável do escuro.
Teimoso, avança até a metade da fita e algo estranho acontece. O diretor, os atores, o enredo que comentou ao longo da semana tornam-se secundários. Difíceis. Incompreensíveis. Os três travesseiros já não serão suficientes para mantê-lo sentado. Há um ciúme do sono dela, uma inveja imperdoável. Ela ainda ri espaçadamente para aumentar sua curiosidade. Solta palavras apressadas. Resmunga relâmpagos. Aproxima-se da boca para escutar com precisão e calma. Os lábios parecem contornados de lápis de cor, tamanha a euforia das linhas. Perguntará a si mesmo: "O que ela estará sonhando? Será comigo? Será que existo mais nela do que em mim?" Nesse momento, você caiu na cilada da beleza descansando. Não existirá volta ao filme.
Seus olhos passam a desistir, avermelhados da leitura do corpo feminino. Buscará em vão aumentar as letras dos cílios, porém o som das calhas é invencível. O som de uma mulher respirando é melhor do que o barulho da chuva. Se não tem óculos para tirar ficará pior. Não contará com um sinal de abandono de causa. É como capotar com o livro no peito (o livro sempre foi meu sutiã de noite). Adormecerá automaticamente, tomado de doce anestesia. Perceberá que quem manda é ela: claramente capaz de seduzi-lo, inclusive dormindo.
Autor conhecido porém anônimo
Sonho causado pelo vôo de uma abelha à volta de um romã, um segundo antes de despertar - Salvador Dalí
"Eu adormeço às margens de uma mulher: eu adormeço às margens de um abismo. "
Eduardo Galeano
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Segunda-feira, Junho 18, 2007
by Clara Cuevas
Já tive muitos critérios, hoje só vários delírios.
Ele tinha um moletom azul marinho rasgado na bunda que tinha um bolso que pesava por culpa da carteira pesada e que dava pra ver a cueca barata. Dei muito pra ele. Um dia ele foi me pegar na faculdade e me perguntou com o palito no canto da boca por que eu ficava com ele se ele não tinha faculdade. Os homens adoram se sentir únicos no mundo (como as mulheres). Disse pra ele que qualquer um podia ter uma faculdade hoje em dia, mas ele (por ser especial) era diferente. Ele adorava. Eles não te pegam assim, pegam? - me dizia. Olhava ela me dizendo isso e ria muito. Que grandes pervertidos somos todos em nossa vã intimidade e mais uma vez: que moralidade mais patética. Muita risada. Confissões. Engulo mesmo e daí? Olha só aquele de toca ali, barbudinho...não posso ver uma barba. Mas vê pra mim porque eu sou tão míope que além da fumaça e da escuridão tem esse som alto atrapalhando a minha visão (isso sim é que é ser míope: a gramática chama de sinestesia, confusão de sentidos, é cult) e não consigo ver ele direito. Ele tá olhando pra cá. Eu danço. Ela bebe. Eu bebo. Ele se aproxima encostado numa parede. Daonde você é? Olha, eu não sei mas acho que sou do Paraguay. Na verdade eu sou argentino, viste. Ah, de donde? Patagonia! Patagonia! Que bien, tengo una amiga que vive en Patagonia. Grêmio ou Boca? Boca! Boca? Boca ou Boca? Boca con Boca! Risadas. Sorriso. Beijo. É incrível a utilidade que possui a boca humana. Nutricional-comunicativa-psicológica-reprodutiva. Trocamos muitas bactérias aquela noite. Típico argentino malabarista de semáforo. Sempre tive vontade de pegar um. Anarquisticamente sensuais. Um corpo bonito por culpa das macaquisses que fazem pra ganhar dinheiro. Divertidos. Barbados. Barbudos. Um Ravno, talvez. Adoro esses bichos do mundo. E meninas, acreditem, as palavras ficam extremamente doces e agradáveis quando ditas em castelhano no teu ouvido. Qué te gusta? Un cine? Si. Y qué te gusta comer? No me dijiste! De todo! Y tomar, un vino? Si! Tinto o blanco? Tinto y seco! Vamo a casar entonces por que es mi preferido! Lembrei do dito precavido do Itamar Assumpção: Devagar com esse andor Leonor, casamento é muito caro...
Sorriso. Pega telefone. Eu nunca pego o telefone. Nunca. Não tenho um celular a mão ou não levo a sério o amanhã. Então deixo o momento no hoje mesmo. O hoje que foi ontem, digo. Deixo o momento no momento. Tiro o eterno do tempo. Ele que faça o nosso amanhã se quiser. Me contento muito com o presente. Absorvo o melhor dele. Sempre. Eu penso em tanta gente no meu dia a dia que esse povo nem deve imaginar que passam pela minha cabeça. Sim, vocês mesmo. Fechar a madrugada com um bom cachorro quente prensado e negociando com o taxista, sempre. Não dormi em casa e não dormi com ele. Dormi em um sofá cama em forma de sofá parecendo um cachorrinho enrolado. Estávamos muito cozidas pra conseguir abrir a porra do sofá cama. A única coisa que eu conseguia abrir eram os olhos. Acordo. Vejo Curitiba acordar. São sete horas da manhã, não vejo o Cristo na janela, o sol já apagou sua luz e o povo lá embaixo espera, nas filas dos pontos de ônibus, procurando aonde ir, são todos seus cicerones, correm pra não desistir dos seus salários de fome. É a esperança que eles tem, neste filme como extras todos querem se dar bem.. Penso no Cazuza. Na sede do Cazuza. Plena segunda-feira. Mesma saia de sempre. Mesmas alpargatas. Eu e minha mania de dormir com alpargatas. Que dia lindo. Que gente preocupada montando e construindo o grande mundo. De fato, o mundo é uma grande teia. Correr pra não desistir. Que café maravilhoso de padaria. El polen: Quisiera ser pajarito com las alitas azules para volar divertido sábado, domingo y lunes. Estrujar, palavra nova pra mim. Descobri sem querer brincando com a palavra esdrújula. Procurei errado no dicionário. Achei estrujar: tirar o sumo, esgotar.
- Ay Zitarrosa...Hago falta... Yo siento que la vida se agita nerviosa si no comparezco, si no estoy... Siento que hay un sitio para mi en la fila, que se ve ese vacío, que hay una respiración que falta, que defraudo una espera... Siento la tristeza o la ira inexpresada del compañero, el amor del que me aguarda lastimado... Falta mi cara en la grafíca del pueblo, mi voz en la consigna, en el canto, en la pasión de andar, mis piernas en la marcha, mis zapatos hollando el polvo. Los siete ojos mios en la contemplación del mañana... Mis manos en la bandera, en el martillo, en la guitarra, mi lengua en el idioma de todos, el gesto de mi cara en la honda preocupación de mis hermanos.
haikai espontâneo
"Sim, inverno, estamos vivos."
Que susto.
Clara Cuevas
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Domingo, Junho 17, 2007
by Clara Cuevas
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A um ausente
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
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Quinta-feira, Junho 14, 2007
by Clara Cuevas
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Meio intelectual, meio de esquerda
De Antonio Prata.
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem). No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. "Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.
Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que agente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim, Câmara Cascudo, saca?).
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Bar Brasileirinho, burguesia cultural em Curitiba. Maio de 2007.
- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?
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Terça-feira, Junho 12, 2007
by Clara Cuevas
" "
Maldita noite. Ônibus demorado. Esqueci o celular. Cruzo as pernas.
Olho pra lua. Sinto as coxas quentes embaixo da saia.
O cabelo roçando os seios. As mãos quentes e até os meus pés, quem diria.
O vento já chega bagunçando tudo. Em outro post já fiz amor com deus.
Hoje não sei quem vem. Papo de ponto de ônibus...
- Meu nome é Vento, prazer.
- Vento Prazer?
- Não, Vento, queridinha.
- Ah pensei que fosse Prazer, desculpe.
- Não foi nada...
- Ah, tudo bem então...
De repente mão na folha, folha na mão. Como laranja como quem beija.
Pele arrepiada, frio a beça. As pernas quentes se picham, querem se separar.
Estou sozinha. Faz frio, muito frio. Ele disse Vento, mas o segundo nome era Frio.
Tenho certeza que é Frio, se não é, é parente.
- Pois é...E sol que é bom, nada né moça.
- Pois é...
Ônibus demorado...mas não adianta, parem de tentar iludir meu clitóris!
Acabou. Me larga! Bando de estrelas voyer. Sumam!
Só sobra um cabelo descabelado. Se fosse música...meu deus, que música...
Se alguém notar como danço por dentro, como me contraio, me mordo, me mexo...
Começou a chover. Que horas são?
Acho que perdi o ônibus...maldita!
- Fica pensando em sexo, fica, idiota! Merda...idiota! Brochei.
Clara Cuevas
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Segunda-feira, Junho 11, 2007
by Clara Cuevas
O paradoxo social da boemia juvenil:
Eu me vendia sim, me vendia por que me botavam preço,
então eu barganhava, custava, valia e trocava.
Hoje percebi que o que vale, é não valer nada mesmo.
Clara Cuevas
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Terça-feira, Junho 05, 2007
by Clara Cuevas
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Baryshnikov
- É que eu sou descendente, é por isso que fica a marca assim.
- Não, o meu marido foi pro Nordeste depois, eu não queria ir, não gosto de calor, mas tive que ir.
- Daí eu tirei a primeira vez e a guria me falou daqui, mas eu devia ter feito mais cavada mesmo.
- É moça, talvez tenha que tirar a calcinha.
Estava longe, muito longe.
- Moça! Vai ter que tirar a calcinha!
- O quê?
- A calcinha!
- Ah, tudo bem.
Abaixo a calcinha amarela. Porra, nunca pediram pra eu tirar a calcinha.
Será que ela vai tentar me atacar? Eu devia ter perguntado se era sério.
E se ela estivesse brincando? E será que vou impedir? Não posso sair por aí tirando a calcinha quando escuto " Tira a calcinha, moça".
Merda, onde enfiei o meu pudor?
Mas não me admirei muito. A arte em geral te tira essa vergonha em relação ao corpo, ainda mais na dança, onde você se troca na frente de qualquer um, correndinho por que logo precisa sair linda e travestida pela cochia.
A cada dor maior que sentia, pensava nas dores que sentiam os torturados de 70.
Pobre Soledad. Minha dor nunca se comparará a dor que ela sentiu aquela tarde, esfaqueada, marcada, fuzilada e morta. Esqueci de falar de grávida. Grávida de quatro meses.
Então em uma tarde de muitas dores, duas vidas: uma que se foi e a outra que nem tinha chegado ainda. A cada dor, imaginava as dores das torturas. Os dedos amassados, os olhos esticados. Os hematomas. O silêncio que só faz gritar o homem e a mulher leal.
E eu pensava nisso e nem sentia tanta dor.
Uma época estava no "foda-se", naquela fase que a gente acorda pro mundo e quer acordar o mundo todo e tira as máscara de todo o mundo na rua como se fosse um louco idiota, sabe, a fase em que desnecessariamente encontra problemas pra se relacionar com outro ser que seja da mesma espécie. Permaneço intolerante mas aprendi a compreender e amar mais os meus cachorros e o reino animal em geral.
Até carne estou parando de comer. Então nessa época falei "não mais me depilarei, já que isso é uma imposição social e desnecessária". Foi bom, mas nenhuma mulher sai super-peluda por aí.
Bem como não sai tirando calcinha, nem jogando beijos, nem cumprimentando a todos (taca pedra na Geni!) . É higiênico, eu sei. É doloroso. Está na hora. E então saí de lá. R$31,50 mais pobre e então a sociedade já não mais me reprime, bem como não me reembolsa o dinheiro que gastei. Nós peludas. Nós feias.
Nós mulheres. Temos que dar um jeito, por que o mundo está aí minha nega e se você pariu e ficou pelancuda, o problema é teu, sinto muito, sua filhinha está aí e pode pegar o homem que quiser.
Deve existir um mundo dentro da terra onde as pessoas não se importem com as malditas aparências. E talvez um gnomo gentil pense assim, e te queira do jeito que és. Mas um gnomo não é humano. E sociedade humana é essa coisa que te faz sentir dor e gastar dinheiro inutilmente. Eu realmente preciso encontrar motivos pras minhas ações, preciso criar um imaginário válido, algo que me distraia e quem sabe até me agregue fé, piedade, essas humanidades em geral. Senão, faço, pago e venho aqui escrever. Quando não faço, escrevo também.
Vocês leitores que atribuam valores às minhas palavras, ações e pernas, por favor, porque os meus eu ainda estou inventando e sem vosso julgamento e leitura nada sou aqui.
Um ser social. Social. Com C. Obrigada.
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Una buena muchacha
de casa decente no puede salir
que diria la gente el domingo en la misa
si saben de ti,
que dirian los amigos
los viejos vecinos que vienen aqui
que dirian las ventanas tu madre y su hermana
y todos los siglos del colonialismo español
que no en balde te han hecho cobarde
que diria dios,
si amas sin la Iglesia y sin la ley.
Silvio Rodríguez - La familia, la propiedad privada y el amor.
Clara Cuevas
eu também vou reclamar:
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Terça-feira, Junho 05, 2007
by Clara Cuevas
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Outro erro.
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eu também vou reclamar:
Posted
Segunda-feira, Junho 04, 2007
by Clara Cuevas
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Desobediência Criancil
Essa liberdade aí, meu filho. Nunca mais. Só com muita arte ou muita droga.
Versinhos de dita dura:
AI5:
aiaiaiaiai
1964: última vez que a gente civil.
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eu também vou reclamar:
Posted
Sábado, Junho 02, 2007
by Clara Cuevas
Do sublime e do livre...
Camaradas, provarei o quanto sou uma pessoa sexy. Além de comer omelete de atum
com bacon com os meninos do xerox hoje de manhã, usar a mesma roupa durante três dias já
que durmo com elas, e não fazer depilação (que não é aparação, por favor) há pelo menos
dois meses (eu tomo banho amor, juro) sou uma pessoa muito sensual virtualmente falando .
E sabemos todos o quanto isso é importante num mundo globalizado de óvulos com espaço
de gigas (va-gigas rarara) e de espermatozóides que navegam na velocidade da luz.
Aqui, uma breve demonstração de minha habilidade que nada deixa a desejar ao nosso pai,
rei e amante, Austin Powers:
Depois de conversar sobre "com quantos beijos as pessoas de determinadas regiões se
cumprimentam", de como esse hábito deixa nós (estrangeiros) perdidos e atrapalhados e
de como cumprimentar várias pessoas em Porto Alegre deixa a gente tonto já que são
três beijos que se dão, a despedida:
Fernando Prates says:
8 de um lado só
Fernando Prates says:
ou no meio
Fernando Prates says:
tu que decide hehehe
Fernando Prates says:
do rosto*
Clara says:
erererre
Clara says:
não, tenho medo de te deixar mais tanto
Clara says:
* Humildade Off
Clara says:
(aqui foi digitado um emoticon safado)
Clara says:
tonto*
Clara says:
merda, estraguei a cantada
Clara says:
(aqui, um emoticon gargalhando)
Fernando Prates says:
fui!
Clara says:
aararararararraraa
Clara says:
I`m so sexy
-
Quando deus fez a humanidade disse:
- Merda!
Depois de muito pisotear e atropelar sem querer alguns humanos que pulavam exauridos
em suas pernas divinas com suas existências sem sentido, deus disse:
- CALMA! TEM VERDADE PRA TODO O MUNDO!
O Nietzsche só intelectualizou o Genesis.
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breve relato / notícia-crime
Quando o homem voltou da guerra, desfigurado olhou com seu único olho olhante
para sua mulher ingrata que havia-se recasado:
- Vadia! Desgraçada! Eu só passei 50 anos fora!
Cursar história e analisar as mudanças e ações humanas no mundo no decorrer
do tempo me fez brotar um sentimento primitivo muito forte. Imito macacos enjaulados
quando estou em um ambiente tenso. Frases como "Vou cheirar teu rabo" têm se tornado comuns.
Com grande felicidade e pessimismo tenho notado o quão adoráveis somos nós,
primatas contemporâneos fazendo arte e gracinha uns pros outros.
Vi um vídeo de um chimpanzé muito agitado que corria em direção ao público
(que olhava ele como um objeto bonitinho na vitrine) como que escolhendo
um humano pra ser voluntário de seu espetáculo.
O macaco voltava, pegava um monte de esterco e jogava no povo.
E o povo então, tirando foto e olhando o exótico e bicho animal recebia então
aquele presente pesado e fedido. Fez isso umas três vezes. Estava muito feliz.
E o povo lá, olhando pro bicho, tirando foto, recebendo merda como que
se não estivessem entendendo nada.
Eu DELIREI.
Um dia chegará minha vez.
PS: Preciso dizer que tudo aqui descrito é verdade e que de acordo
com o código social do século XXI negarei meus pêlos e minhas cantadas,
alegarei que tudo que disse e escrevi aqui é licença poética. E se é!
Clara Cuevas
eu também vou reclamar:
Posted
Sexta-feira, Junho 01, 2007
by Clara Cuevas
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****CoMeNtA nU MeU****
- Adorei teu blog, gatinha!
- Você escreve muito bem...
- hauhaushahsushusuaha
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Ler pra quê? O importante é comentar...
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