por uma vida menos ordinária
eu também vou reclamar:


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pretérito mais que desimportante do presente do subjuntivo:


SE EU QUISESSE EU SERIA MAS NÃO SOU.




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eu também vou reclamar:


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http://www.netaliegvirtz.com/paintings.htm


Um dia percebi que estava muito enganada com o fluxo dos meus pensamentos, encantada demais com o real e o fantástico, me distraía demais e de repente já estava alucinada com outras coisas. Então foi a partir daí que decidi não me desvirtuar mais. Me monitorava, me endurecia: a vida social tornara-se uma roupa apertada, mas eu andava com ela pra lá e pra cá, fingindo estar super descolada. Meu caráter estava firme enfim. Pois pasmem, foi aí mesmo que comecei a errar, errar, errar. Eu tô normal. Não, não tô não. Tô sim. Não tô. Me tornei um erro tímido que nada acertava. A culpa, o torto, o incerto vivo. Um inseto perdido na vida curta. Nem quando me matei morri direito - pensei.
- Cortar macarrão é pior que virar o crucifixo!
Virar o crucifixo - pensei. Não sei porque aquela frase especificamente tomou conta do meu pensamento. Macarrão. Cruzes! Feia. Feia! Bate na boca! Bate no pensamento e continua comendo. Cortar o macarrão é pior do que virar o crucifixo - pensei de novo. Estava distraída e quando vejo estava eu sugando o crucifixo com molho vermelho. Na verdade não, o spaghetti estava na parede em forma de cruz. Fiquei olhando. O macarrão caiu da parede uma hora mas não fez barulho, ninguém viu. Só eu vi. Será que ele sabe que eu vi? Ele quem? Cala a boca e continua comendo. Carne moída crucificada e morta. É, por isso sou vegetariana. Tô me desmonitorando, merda. Come a cruz e reza o macarrão. Come o macarrão, digo, reza o credo. Cruzes, o credo... o credo é uma reza forte mesmo mas esse molho é mais. Dedos sujos de sangue.
- Pai, abre o vinho!
O sangue de Cristo. Credo. Reza o credo de novo. Sacrifício. Ninguém vai acreditar se eu falar que tinha spaghetti em forma de cruz ali. Por isso cortar o macarrão é pior do que comer o crucifixo. Fica quieta! Não tem nada a ver isso, bate na boca e come. Come aliás. Sacrifício dizem, sacrifictio...

Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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paranóia

Uma das teorias feitas sobre a história do sorriso diz que o ato de sorrir surgiu na pré-história quando o homem para proteger suas caças e territórios mostrava os dentes para o inimigo, num sentido instintivo de sobrevivência. É como uma briga de animais, imagine um cachorro rosnando pra outro mostrando os caninos por exemplo. Sorrir pro inimigo. No Aikidô a filosofia não é muito diferente. Usar o Aikidô não é fazer uma chave de braço e ganhar. Mesmo por que no Aikidô não existe ganhar ou perder e no verdadeiro Aikidô não deve existir dor . É preciso ser o Aikidô. A intenção é fazer com que o seu oponente desista da idéia (e da vontade) de lutar. Existe uma harmonia infinita entre as moléculas, a consciência material barra essa tendência harmônica. Por isso é preciso ser. Deus. Pois é, a harmonia infinita e universal é deus, se é. Me considero agnóstica por não me importar com a existência de deus e achar que isso especificamente não faz diferença se o homem em sua própria existência não o tiver inventado. Os homens são todos cegos espiritualmente, sua imaginação é capaz de criar qualquer coisa (por sorte) e sua consciência legitima esse mundo imaginário fazendo uma ponte com a realidade. Aprendi que as coisas que inventamos não deixam de existir porque foram inventadas. Nos dois sentidos ambíguos da frase anterior mesmo. Se você inventou deus ele existe pra você. E é isso. Invento o meu às vezes... ele me toca, a gente ri, passeia, dança. E é essa a minha relação com o tal deus. Não existe idade limite pra ter um amigo (ou ser) imaginário. Essa ponte com o real é a supostamente. A antropologia sempre me apaixonou por me fazer repensar o meu próprio mundo, ao contrário do maniqueísmo tradicional de achar que a antropologia estuda o não-ocidental e chega até a deixá-lo exótico e distante, diferente de como eu já pensei. Minha antropologia é de mim para mim mesma. Nessa reciclagem fui me desconstruindo a medida que crescia, que cresço. O mundo ocidental é chato demais e é nesse aspecto que repudio as nossas instituições. Nossos massacres de mercado, nosso estado fracassado, nossa escola alienadora, nossa igreja estúpida. Note a diferença: no ocidente vamos ao templo pra louvar a deus, enquanto no voodo você é um templo, você se torna um deus. Essa desconstrução não tem preço. Essa escolha. O primitivo, as danças, o bom selvagem. O mundo estagnado é ruim demais. É preciso reinventá-lo o tempo todo. No sonho, no samba, na música, no amor, nas artes, na comida. Nas conversas, nas cervejas, nos infinitos cruzados que somos todos. É preciso abrir as portas da percepção (usando drogas ou não).



Essa carta simboliza o ser humano, com suas luzes e sombras, suas certezas e dúvidas, sua parcela divina e sua porção demoníaca. Está associada a Baco ou Dionísio - divindades do vinho na cultura greco-romana - e também ao Homem Verde da Primavera, figura mitológica celta. O animal que morde a perna do Louco é sua própria consciência, que o atormenta, embora ele nem se dê conta disso. As frutas, o trigo e os símbolos astrológicos mostram que ele tem tudo de que precisa mas não sabe usar as riquezas. Quando aparece num jogo, essa carta indica inocência; transcendência espiritual e capacidade de ultrapassar as barreiras do bem e do mal. Mas também revela excentricidade, confusão, incerteza, medo e irresponsabilidade.


Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


feliz desaniversário!



Dia 30 de agosto completamos cinco anos de blog!

Quem disse que meus relacionamentos não são duradouros? Parei de postar as vezes é verdade, postei muita merda, mas é fazendo merda que se aduba a vida! Cá estamos nós, eu e blog, felizes! Convenhamos que ele nunca me reclamou nada. As vezes apagava meus textos eu ficava puta, saía do PC mas depois voltava. Depois de muitas republicações alguns comentários foram apagados automaticamente pelo Blogger e as imagens expiradas pelo tempo. Mas ele não mudou nada, o leitores das antigas sabem, sempre teve essa pele branquinha e esse topo vermelho, gente simples, não posta música e dependendo do tamanho da imagem não agüenta! Mas a gente sempre se deu bem, eu com a mesma frustração feliz de sempre e ele com a página casta e pura, pronta para ser usada. Pra quem não sabe o nome antigo era Coca-Cola! Um dia explico. Calma. Mas não diga pra ele que eu contei isso pra vocês.

Amores, desamores, horrores, humores, cores, realismos, realismos fantásticos, gibran, escola, luta de classes, casa das máquinas, el polen, amigos, desamigos, domingos, portos, porto alegre, itabuna, são paulo, desimportâncias, segundas, terças, sonos, sonhos, danças, Américas, vontades, mudançar, mundanças, noites, tardes e muitas madrugadas, risadas, os mais toscos trocadalhos, viagens, voltas, bugalhos, revoltas, minas, volta, poesia, discussão, brigas, ciúmes, apaga isso, não apago não, errei, merda, ah vai assim mesmo, cerveja, boemia, eu era até virgem mas hoje só sou de peixes mesmo.

Poucas coisas gosto tanto como este espaço. Escrevo o que quiser. Um ovo.




Pronto, escrevi um ovo.

(lá vem ela sem sentido de novo, fazer o que quiser)

Tá, pra ficar menos inútil postarei aqui um texto que já foi postado há muito tempo de um amigo libanês que sempre me companhou nessas andanças:

Disse uma folha de papel branco :
"Pura fui criada e pura permanecerei para sempre.
Antes ser queimada e convertida em brancas cinzas, do que suportar que a negrura me toque ou o sujo chegue junto de mim".
O tinteiro ouviu o que a folha de papel dizia, e riu-se em seu escuro coração.
Mas não ousou aproximar-se dela.
E os lápis multicoloridos ouviram-na também, e nunca se aproximaram dela.
E a folha de papel, branca como a neve, permaneceu pura e casta.
Para sempre, pura, casta... e vazia....


obrigada, leitores, lidos e leitões, idos, voltados e revoltados, aparecidos.
os que estavam aqui e foram, mas voltam, os que não voltam e não querem me ver nunca mais.
os que me pintam de ouro, os que me deletam, os que me apagam, os que me provocam.
os que não gostam de ler por que se encontram, também postam, os que me postam.

Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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Conversando qualquer coisa no bar, celebrando a cerveja, os amigos, as bobagens.
Montando com cuidado um castelo de horas e dias entre o que aconteceu e o agora,
distâncias e palavras que funcionam como isolantes; o carro e o som alto no
toca-fitas já eram como um vácuo entre a casa triste e o bar, e depois o bar
e os amigos como o dielétrico que isola a mente do contato demasiado
dolorido da realidade. Uma série de pára-choques entre o hoje e o
amanhã, para que alguma hora, quem sabe, uma nova idéia,
uma esperança, outra imagem no caleidoscópio.

Mas acontece que essa consciência do esquecimento obrigatório,
da garantia de proteção completa e confortável, se tornou o pior,
o mais covarde dos caminhos, uma vez que sensato e equilibrado.
E eu que nesse momento só quero negar à rotina seus protetores e
isolantes, aceitar sem ilusões que todas as minhas direções se
embaralharam enquanto eu sigo pisando desajeitado,
sob o risco constante de perder a noção de para onde estava indo.

Cortázar




Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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é difícil amar sem fazer perguntas mas se um cão consegue, você também consegue.


eu também vou reclamar:


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os namoradinhos do "Brasil"


Regina Duarte e Roberto Carlos

"Uma mãe amorosa. Uma atriz talentosa. Uma celebridade politizada. E, acima de tudo, uma mulher preocupada com sua higiene íntima."

Sensacional: http://meunomeeregina.blogspot.com/

Quem conhece as artimanhas globais e a jovem guarda silenciosa da ditadura sabe o que é.

Clara Cuevas

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eu também vou reclamar:


Há homens que nascem póstumos...



- Pois é, Nietzsche, é Nietzsche que se diz né?
- Isso mesmo. Nietzsche.
- Com o che no final?
- Isso mesmo.
- Nitz Che.
- Não, meu nome é Nietzsche!
- Nietzsche!
- Isso.
- Isso, então, Nietzsche, eu quando nasci não respirava direito. Tiveram que me bater muito pra eu chorar e em vez de chorar eu saí gritando. Quando li essa tua frase me lembrei desse fato que não lembro na verdade por que não tinha o cérebro desenvolvido o suficiente pra guardar minhas memórias, mas foi minha mãe que disse e a gente tem que confiar pelo menos na mãe hoje em dia né Nietzsche, eu não sei como é a tua relação com tua mãe mas é que da minha história que eu me lembre mesmo assim por mim mesma é só depois dos sete, oito anos e olhe lá... tenho flashs assim, mas nenhum trauma, apesar do abuso, de ter a cabeça cortada e das surras que levei, aliás eu era bem mudinha, nem parece né, mas eu não falava muito mesmo, chorava bastante no meu canto, tinha tudo pra virar Emo, até blog eu tenho! Você já leu meu blog, Nietzsche?
- Não li não.
- Tem que ler, Nietzsche! Mas quando fiz o blog essa espécie (emos) ainda não havia sido catalogada, meu blog é o blog mais antigo que conheço, dos meus amigos a maioria largou por que perdeu a vontade de escrever e tal, hoje eu já tenho dois, este e o outro (www.detestofunk.blogspot.com.br). Flog eu nunca tive só vlog por que queria postar música, mas como tinha pouco espaço e eu tinha muita música e não pagava o Vlog pra ter mais espaço então acabei deixando por isso mesmo.
- De fato, sem música, a vida seria um erro.
- Aham... mas... eu fiquei sabendo que você anda meio doentinho... que tua boa fase nos escritos tem associação com alguns problemas mentais que você tem por culpa da sífilis, é verdade?
- Olha, eu..
- Ai Nietzsche, é Nietzsche né?
- Isso, Nietzsche, olha eu...
- Putz, eu não queria te perguntar assim, acho que falei demais mas é que, é que eu tava pensando nisso desde quando te vi e associei os fatos e e...putz Nitti, é que fa...
- É Nietzsche porra! Nietzs che! Che!! Nietzschê!!!
- Desculpa, ai não sei mais o que falar... ficou sabendo daquela comunidade sobre Niilismo Miguxo? Não deixa de ser uma homenagem, Nie..
- Para os orkuteiros não existe a razão, existe a cadeia!
- Eu tenho Orkut, Nit...
- ...
- Aliás falando assim rapidamente, essa história de Super-Homem tem alguma relação com os artigos da DC Comics?
- Eu... eu... eu preciso de um benflogin.
- Como assim benflogin?
- Ver a vida com maior nietzschedez.
- Nietzsche quê?
-
- Nietzsche?
-
- ...
- Ô Nietzsche , não fique assim, ai eu não devia ter falado isso... poxa, desculpa, me dá um abraço vai MiGuXxoO.





Clara Cuevas



eu também vou reclamar:


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entrevista que a clara fez com o cauê que existe em mim

- A regra é clara, não dá pra namorar sem ter transado.
- Claro que sim, se o amor é verda...
- Não, claro que não dá! Se não houver química, todo amor jurado e conjurado será expirado! A pele é muito importante... Não namoro sem atração! Não adianta o cara ser perfeitinho... Por isso não fico com ninguém, você sabe como sou chata. Eu já te disse, meus amores são impossíveis! Ou o cara é casado, ou mora longe ou já morreu. A distância dissipa tudo e o tempo leva o que sobrou querida, esta é a lógica do mer...
- Não é não, você está sendo muito sexista, quando você gosta de alguém não importa se o cara é bom ou não, será bom automaticamente por que os dois se amam e não há outro amor ou distância ou tempo que mude isso.
- Deixa de ser idiota! O tempo já mudou tudo! Olhe pra mim aqui, olha pra você, Clara!
- Qual é teu amor maior no momento?
- Sou mulher de grandes amores, não puta como você pensou, apenas de grandes amores, você sabe, mas no entanto estou apta a renegar alguns por um que conheci estes dias no sh...
- Não acredito!
- É sério, deixa eu terminar de fa...
- Aquele rapaz que você conheceu no show? Tá apaixonada?
- Claro que, olha aqui, como assim apaixonada, eu já te disse, namorar é só depois do sexo e não sexo depois do casamento como bem ensinaram os séculos de colonialis...
- Você não se apaixona facilmente que eu sei... monstro.
- Credo, Clara!
- Credo digo eu! O que que adianta prometer o mundo e fazer aquelas juras de amor eterno se primeiro: eu não acredito no eterno, nem no deus e nem no destino, acho que são concepções chatas que atrofiam o raciocínio dos casaisinhos de plantão e a criatividade natural que existe de usar tudo pra falar de amor e de amor pra falar de tudo. É importante a química, no amor, no humor, na pira, em tudo! É preciso ser inteligente mas sem criatividade não dá...
- Vai morrer sozinha desse jeito...
- Não sei como você vai fazer... eu te entendo mas são poucas as pessoas que conseguem pensar em química no humor e em amor a primeira vista ...não sei como vai fazer... você sabe... nem eu acredito nisso... e tem gente lendo este post...
- É, eu sei... e agora?
- Agora sei lá, é você quem tá escrevendo, não eu!
- Ah é, tô escrevendo sozinha de certo!
- Você é maluca!
- É você que é!
- A mão que tá no teclado é a tua!
- Mas o dedo que publica o post é teu!
- Acho que devia sossegar...
- Acho que devia ligar o foda-se.
- Se apaixonar...
- Eu?
- Sim.
- Fodeu então... mas você tinha que ver, eu pedi fogo pra ele no sh...
- Eu já sei já sei...já me contou esta história mil vezes.
- Eu sei... você tava lá não tava?
- Viu minha cara?
- Vi sim...
- Acho que tá gostando dele...
- Também acho.
- Tem gente lendo este post...quero ver você expli...
- Ele tem os olhos tão bonitos.
- Vamos mudar de assunto.
- Apaga isso.
- Nem vou apagar.
- Publica então!
- Você é maluca.
- Você que é.

Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


psicandelia



não é gif não...



"Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito."
Huxley, The Doors of Perception, 1954

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Before you slip into unconsciousness,
I'd like to have another kiss,
Another flashing chance at bliss,
Another kiss.
Another kiss.

The days are bright and filled with pain.
Enclose me in your gentle rain.
The time you ran was too insane.
We'll meet again.
We'll meet again.

Oh, tell me where your freedom lies.
The streets are fields that never die.
Deliver me from reasons why
You'd rather cry.
I'd rather fly.

The crystal ship is being filled.
A thousand girls. A thousand thrills.
A million ways to spend your time.
When we get back,
I'll drop a line.

The Crystal Ship - The Doors

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eu também vou reclamar:


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viola violação



conte pros amigos que tudo foi em vão corte os cabelos suje a moça rompa as cordas do violão sugue as balas siga a corja sopre o canhão pague meu dinheiro e vista sua roupa apague as luzes e vá se afogar no neon mate-o saia da frente do meu sol tampe a cartola vá comer outros matos minha fome é outra eu não tenho destino nem tempo nem espaço nem quero me dê a saia e vista suas roupas por favor me pague pode contar o que for se sou o silêncio o fino grito o surdo e o mudo o nada saia correndo mas por favor vista suas roupas ponha os pés na calçada ponha suas calças eu não tenho sede eu não tenho sexo eu não tenho som perdi o soco o ponto o pão conte pros amigos que tudo foi em vão as vírgulas as letras a visão mas vista suas roupas não por favor não vista a minha sorte minha fome minhas patas toscas meus cortes vista suas roupas e me pague me faça forte ou gauche mas por favor vista suas roupas me dê meu tostão e vá embora não sou cego eu já me visto não escrevi isto e por favor dê meu dinheiro de volta.

Clara Cuevas

eu também vou reclamar:


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nem tudo
que é torto
é errado

veja as pernas
do garrincha
e as árvores
do cerrado



Nicolas Behr - Beijo de Hiena, 1993

ESTOU COMEÇANDO A PERDER
O MEDO QUE TENHO DAS PESSOAS

JÁ PEGO NA MÃO
DA MINHA NAMORADA

Idem - Chá com Porrada, 1978
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eu também vou reclamar:


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penso logo existo
penso que existo
penso que penso


Lecionar me faz pensar nesse discurso ridículo de potencial humano. Mas não existe isso, uma palavra elimina a outra.
- Que exagero, Clara!
- É... até o câncer evolui.

Nosso potencial é de foder com tudo mesmo. É potencial ué. Só não é um potencial muito bonitinho e nem útil para o resto das espécies mas fazer o quê. Nem o brilhozinho das crianças, nem as mil possibilidades da juventude nem todo o tempo e vontade do mundo me faz achar que ainda vale a pena. Vale a pena pra mim que quer trabalhar sem precisar contribuir com esse escárnio. Mas a mudança parte do ser mutável. Eu não sou deus: Ese mundo a los pies, violento, imbécil, abrumador, esa novela canallesca escrita por un loco.
Não se preocupe, são animais - disse meu amigo malvadão. E como são. Mas estou preferindo os animais então acho sacanagem chamar o futuro da nação de animal. Animal vem de anima - alma. Alma é uma coisa que ninguém tem. Nem de anjo, nem de diabo. Estamos preocupados demais com nossos probleminhas banais e com as nossas moralidades. E não fico triste com isso, fico de saco cheio mesmo. Existem cegos inválidos por que não querem ver. E eu, no ápice da minha compreensão devo achar isso normal, tomar um kisifoda e apertar o acelerador. Afinal eu acho que vejo. Nunca tive tanta vontade de morrer de repente assim, sem dor. Sem emosidades. Tenho estado tão feliz que ultimamente toda hora é uma boa hora. Preciso de diversão pra viver, não de esperança. Muito menos de criança-esperança: Psicologia & Marketing sem gastar dinheiro: Botam o comercial do projeto em seguida que se mostra uma enchente fatal com crianças sofrendo de verdade lá no Oriente. Ridículos. Utilizam protagonistas fudidos da vida real como figurantes de uma propaganda que ninguém vai lembrar. O que vale é a isenção de impostos que terão as custas dos babacas que dão dinheiro:
- Mãe, desliga isso, não liga pro criança-esperança...
- Mas são só cinco reais! É bom ajudar o próximo!

[flor murcha do MSN]
Isso sim é ajudar o próximo. Fazer o bem sem olhar a quem. Nem que esse quem seja o capeta travestido de Rede Globo. Eu tô muito puta com tudo isso, e muito puta por ter nascido aqui nesse sugismundo. Não, não sobrarei de vítima das circunstâncias. Só acho minha espécie patética demais. Só isso. Queria que fosse um problema simples, daqueles resolvidos com tinta de cabelo, manicure ou ofurô mas o problema é outro. Não posso simplesmente virar um quati.
Bem que podia não ter nascido. Merda. Paisagem ruim. Agora tô aqui. Não bastasse sobreviver no corredor apertado, perto do banheiro, vou ter que morrer um dia ainda. Parem o mundo que eu quero descer!


malvados.com.br

Deus fez os cães de rua pra morder vocês que sob a luz da lua, os tratam como gente - é claro! - a pontapés.
belchior - Conheço o meu lugar

- Calma Clara, vai piorar.
- A medida que existo, sempre piora.
- Você é insuportável, literalmente.

Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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É claro que ela se tornaria uma máquina. Uma máquina de pequenos botões. Botões de apertar, não de abrir. Curvas. Carros. Ela não pisca. Ela olha pra televisão, ela fala com a televisão.
- Já comeu, querida?
- Já.
Uma maquininha viciada. Quase um extraterrestre. Já não é minha irmã. É claro que ela se tornaria um ser assim insuportável no silêncio, um ser repugnante assim na fala, como é. É a metamorfose brusca e impiedosa dos treze anos. O único som que escuta é o do carro da mãe chegando e rapidamente põe os chinelos e se prepara para mostrar pra mãe a filha que não é. É impulsivo quase instintivo. Meu deus, que deus teria educado, criado e feito um ser tão manipulador e frio? Mas eu sei como é. Nessa idade. Culpada por sarcástica, magoadora dos sete nós dos corações da vizinha. Chorei bastante pelos fantasmas que criei e que me inventaram. Rosseau não estava errado quando disse que quem ensina os filhos a mentir são seus pais. E é verdade. Vejo aqui ao meu lado um pequeno ser humano aprendendo a ser hipócrita, a conviver com o superficial e a tirar o menor proveito dele e do mundo. Menos proveito por que cansa menos. E o negócio é ser folgadão na parada, tá ligado. Não sei que pessoa vai sair disso. Mas mais do que a futura dignidade, o que me preocupa é que não vejo atual diversão:
- Tá se divertindo aí?
- Ah, tô sem fazer nada, aperto dois botões aqui, o carinha que mexe lá...
Não é a única que não se diverte no momento. Pressinto brigas e discussões em minutos. Saio do computador. Vou dormir. Finjo que durmo. Finjo até as três da manhã que durmo. Incomodo um ou outro por SMS. Escapo dos que me perguntam, dos que querem me ver, dos que têm dúvidas e principalmente daqueles que querem mostrar suas certezas. Acho que não há nada mais parecido do que eu neste momento do que uma criança pré menina quase moça vidrada num playstation 1, viciada em seu tédio sem piscar. Ela muda o jogo, eu vou deitar.

Clara Cuevas

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