por uma vida menos ordinária
eu também vou reclamar:


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conto da cidade:

[...] e ele garotinho falou que o mundo era muita coisa e o tempo muito demorado. Falei sem pressa mas ele achava o oceano demais pra gente e eu apertei a mão dele e falei vamos mas nem pra escorregar pela América Latina ele quis, nem a do Sul, nem a Jamaica! Viajar pra dentro? Jamais, "escuridão fatal, escuridão fatal " repetia. Nem assim ele teve coragem ou vontade ou coragem de me dizer que não e nem pelo Brasil ou por Curitiba ou por qualquer província, ou bairro ou rua, ele disse que eu era tudo, tudo, a calçada, a fumaça, a poeira, o bairro, mas não dava, não podia, eu era a rua mas que ele não ia, ele tinha medo, gente, tinha medo de gente como eu e eu fiquei criando irritação pela mula empacada e trêmula, aquele garoto tinha medo de mim, eu era a cidade noturna estranha e boêmia, a quente de dia, ocupada e elétrica, disse ele:
- Barulhenta!

Foi o dia que eu larguei ele lá, perdido entre todas as buzinas.

Clara Cuevas


lar doce lar