por uma vida menos ordinária
eu também vou reclamar:


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O cemitério é geral
A morte nos faz irmãos
Tu nessa idade e não sabes
Tudo é sertão e cidade
Tudo é cidade e sertão
Campina grande - vereda geral

(...)



Tudo é interior tudo é interior
Tudo é interior tudo é interior
Tudo é interior tudo é interior
Interior interior
Interior interior
Inté a capital inté a capital
Que babiloniou que babiloniou

Belchior - Cemitério


eu também vou reclamar:


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Uma rua, um campo, uma paisagem,

tiram fotos, passam, amam,

voltam e vão.

Estrada nua, um cigarro, viagem,

noite suada, vermelha e fria,

um vazio típico da profissão.


foto: Alessandra Negrini - Revista Playboy, Abril de 2000


Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


vai morrer todo o mundo abraçadinho.






- A vida é assim, meu filho, o Dahmer não errou quando disse que a amizade
é medida pelo tempo que o teu amigo demora pra comer tua mulher.


Clara Cuevas


eu também vou reclamar:


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1959 - Cuba

Arrímese mas pa' ca
aquí donde el sol calienta,
si uste' ya está acostumbrado
a andar dando volteretas
y ningún daño le hará
estar donde las papas queman.

Usted no es na'
ni chicha ni limoná
se la pasa manoseando
caramba zamba su dignidad.

La fiesta ya ha comenzao
y la cosa está que arde
uste' que era el más quedao
se quiere adueñar del baile
total a los olfatillos
no hay olor que se les escape.

Si queremos más fiestoca
primero hay que trabajar
y tendremos pa' toítos
abrigo, pan y amistad
y si usted no está de acuerdo
es cuestión de uste' nomás
la cosa va pa' delante
y no piensa recular.

Ya déjese de patillas
venga a remediar su mal
si aquí debajito 'el poncho
no tengo ningún puñal
y si sigue hociconeando
le vamos a expropiar
las pistolas y la lengua
y toíto lo demás.

Victor Jara - 1970

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eu também vou reclamar:


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vidas breves

Ficou pasma pensando em como os adultos conseguem chegar a tal idade sem viver. A vida devia passar de acordo com as cotas mínimas de felicidade, pensava.
Sentia que aos 6 anos já tinha muita felicidade dentro de si, já tinha conhecido tantos lugares, tinha amado tantas pessoas e continuava a amá-las sem conhecê-las, sem sair de casa, sem precisar de nada.
"Amo como gente grande" dizia e os adultos todos achavam muito bonitinhos seus dizeres sábios e olhinhos brilhantes cor de jabuticaba, lhe davam um beijo e iam trabalhar em suas forcas enquanto ela seguia vivendo e vivendo e vivendo junto com o mundo inteiro que rodava e rodava e dava voltas e andava em círculos como que buscando e perdendo a si mesmo.
Ciranda muito bonita, simples e infantil, às vezes áspera, dura, feia, mas sempre rítmica, vivia ela sempre distrída em dança e música.
Tropeçando numa reflexão qualquer sentiu passar seus 20 anos como se fossem nada, como si fuera un soplo la vida.
Sentiu não viver nada, sentiu o frio do sopro na espinha, sentiu um frio na vida, o tempo então lhe teria feito mais que cosquinhas desta vez, mais que arrepio, o tempo lhe fez um chupão para que se lembrasse sempre. Tímida continuou dançando. Adulta, velha mas sempre viva. Pequena super-nova, não sabia de nada mas sabia.

Clara Cuevas


Foto: Chiapas, México - 2005


lar doce lar